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Juros de curto prazo reforçam aposta em corte da Selic em março

16/02/2018 18h48

O mercado financeiro passou nesta sexta-feira (16) a ver como majoritária a chance de corte da Selic em março. Os contratos de DI embutem, hoje, 54% de probabilidade de declínio do juro no mês que vem, contra 41% na quinta-feira (15). Com quase 300 mil contratos negociados, o DI julho/2018 - que reflete apostas para a decisão do Copom de março - foi, nesta sexta-feira, o mais negociado de todos os 37 vértices do mercado de juros futuros disponíveis para operações.


O fortalecimento das apostas do mercado na extensão do ciclo de afrouxamento monetário vem na esteira da melhora do ambiente para ativos de risco no exterior, que no Brasil leva o dólar a anular as altas contabilizadas após o "crash relâmpago" que derrubou Wall Street, na semana passada.


Com um dólar mais fraco, o mercado vê argumentos para estimar uma inflação mais baixa, cenário que vem sendo contemplado com mais força desde que o IPCA de janeiro surpreendeu para baixo. E também diante de perspectivas de que os alimentos possam voltar a contribuir de forma benigna nos índices de preços, em meio a algumas previsões de nova safra recorde.


Os investidores mais convictos na continuidade da queda dos juros têm pela frente um dado que pode fortalecer suas apostas. O IPCA-15 de fevereiro será reportado na sexta-feira (23). De forma geral, espera-se aceleração ante a taxa de 0,39% de janeiro. Mas, pelo menos nas contas do BNP Paribas, a inflação em 12 meses deve cair de 3,02% para 2,93%.


Estrategistas do Morgan Stanley projetam que o IPCA-15 de 12 meses deva ficar em torno de 3%. "Deveremos ver uma reversão dos preços dos alimentos, como já apontada por prévias de IGPs e também pesquisas de preços. E isso deve levar a variação de preço dos alimentos novamente para território negativo nos próximos meses", dizem os profissionais em nota.


Outro dado que será bastante aguardado é o IBC-Br de dezembro, a ser divulgado já na segunda-feira (19). O UBS estima que o IBC-Br aumente 2,2% sobre dezembro de 2016, confirmando crescimento de 1% no fechado de 2017.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI julho/2018 marcava 6,540% ao ano (6,56% no ajuste anterior), oDI janeiro/2019 cedia a 6,625% (6,655% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2020 recuava para 7,720% (7,83% no ajuste anterior)


Prêmio de risco em queda

Os juros dos trechos médios e longos também recuaram hoje, levando algumas medidas de prêmio de risco a mínimas desde o fim de janeiro, logo após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF-4 e antes do "sell-off" nos mercados globais de ações.


O spread entre os DIs janeiro/2021 e janeiro/2019 caiu, na sessão desta sexta, 6 pontos-base, maior baixa desde 24 de janeiro - data do julgamento de Lula. A diferença está agora em 200,5 pontos-base, igualando-se à do dia 30 de janeiro e a menor desde o dia 26 daquele mês (195 pontos-base).


O "trade" de queda da inclinação é compartilhado pelo BofA. O banco segue com posição que ganha com a redução do spread entre os DIs janeiro/2021 e julho/2018. Em 2018, esse spread já caiu 32 pontos-base, para 209 pontos-base, mínima do ano.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2021 tinha queda a 8,630%, mínima do ano, ante 8,72% do ajuste anterior. Já oDI janeiro/2023 caía a 9,480%, menor nível desde 26 de janeiro (9,47%) e bem abaixo do ajuste de ontem (9,53%).

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