ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Em reviravolta, dólar sobe após ata do Fed

21/02/2018 18h30

O dólar saiu das mínimas do dia para a máxima da sessão em menos de uma hora, acompanhando o fortalecimento da moeda no exterior à medida que a alta dos juros dos Treasuries para novas máximas em quatro anos pressionou as bolsas de valores em Wall Street.


O dólar comercial subiu 0,18%, a R$ 3,2610, depois de tocar uma mínima de R$ 3,2429 (-0,38%) após a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, BC americano).


Tão rapidamente como entenderam que o tom do Fed foi menos "hawkish" que o esperado, investidores passaram a se concentrar nos pontos da ata que sugerem mais conforto dos membros do Fomc com juros mais altos, na esteira do entendimento de que a inflação também deve subir.


Alguns analistas lembram que a ata divulgada nesta quarta-feira se refere à reunião de janeiro, antes da posse de Jerome Powell no lugar de Janet Yellen como presidente do Fed, da turbulência nos mercados de ações e de dados de emprego e salários acima do esperado.


Mauricio Nakahodo, economista do MUFG no Brasil, chama atenção para o testemunho de Powell, a ocorrer no próximo dia 28. "Considerando que a ata divulgada hoje é anterior a uma série de eventos, se espera que as declarações de Powell deem algum sinal mais claro sobre o caminho do juro", afirma o economista.


De toda forma, ele considera que os motivos que embasam o "gradual" aperto monetário nos EUA são positivos para emergentes. "A liquidez internacional segue ampla e, com os EUA crescendo bem, o comércio internacional tem impulso, o que é bom para o Brasil."


Nakahodo projeta dólar de R$ 3,40 ao fim do ano, alta de 4,26% frente ao patamar de hoje, basicamente por "questões de ordem política".


Mario Castro, estrategista para América Latina do Nomura, diz que ata do Fed veio "ligeiramente 'hawkish'", mas que isso não altera o cenário de dólar globalmente mais fraco ao longo deste ano - devido ao ajuste de política monetária também na Europa e à expectativa de crescentes déficits fiscais nos EUA.


O estrategista diz que revisará as estimativas para o real em breve e que dos atuais R$ 3,50 por dólar a projeção deve cair para algo entre R$ 3,00 e R$ 3,20.


"Mas em relação a seus pares emergentes, o real vai ter desempenho mais fraco, puxado pelos problemas fiscais domésticos", ressalva.


Hoje, o real ficou para trás ante boa parte de seus rivais emergentes. O desempenho relativo mais fraco ocorre um dia depois das duras declarações feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a membros do Palácio do Planalto, que haviam anunciado horas antes pacote de 15 medidas microeconômicas a serem votadas pelo Congresso. "Nem li nem vou ler", disse o chefe da Câmara a respeito da lista de projetos. Maia e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) defenderam que não é o governo que pauta o Congresso.


"Mesmo que o assunto agora seja eleição, o mercado nunca reage bem a um embate público dessa natureza. É ruim para qualquer proposta de reforma", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Mais Economia