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Baixa contábil e ação coletiva nos EUA abalam resultado da Petrobras

(Atualizada às 11h18) Um montante ainda considerável de redução no valor recuperável de ativos e as provisões para o pagamento do acordo da ação coletiva que enfrentou nos Estados Unidos foram os dois principais fatores que derrubaram o resultado da Petrobras no quarto trimestre.

Só para encerrar a ação coletiva, a estatal reservou R$ 11,2 bilhões em recursos. Não fosse essa provisão, a própria companhia ressalta, no relatório da administração que acompanha o balanço, que teria contabilizado lucro líquido de R$ 7,09 bilhões em 2017, ante perdas de R$ 14,82 bilhões em 2016.

Só entre outubro e dezembro, se for excluída dos cálculos a provisão para a ação coletiva, o lucro da petrolífera teria sido de R$ 4,28 bilhões, contra R$ 2,51 bilhões nos três últimos meses do ano anterior.

Além dessa reserva judicial, foi feita uma baixa contábil líquida de R$ 3,51 bilhões no valor a ser recuperado de ativos, o chamado "impairment", durante o trimestre. A cifra significou redução de 0,5% nas perdas e continuou sendo relevando no resultado da empresa.

Durante o ano como um todo, a Petrobras deu baixa de R$ 3,86 bilhões, contra R$ 20,3 bilhões em 2016. A maior parte teve de ser realizada na área de abastecimento ? R$ 2,3 bilhões ?, seguida por gás e energia ? R$ 1,68 bilhão.

O balanço do quarto trimestre ainda mostra que houve perdas não recorrentes de R$ 1,02 bilhão pela adesão da estatal ao novo programa de regularização de débitos federais, o chamado Refis.

Pior que o esperado

O resultado da petrolífera veio, mais uma vez, pior que o esperado pelas projeções de analistas.

A média das projeções de seis casas de análise (Santander, Itaú BBA, Morgan Stanley, BTG Pactual, UBS e Credit Suisse) indicava um prejuízo de R$ 493,5 milhões. Com isso, o resultado anual da petroleira teria sido um lucro de R$ 4,537 bilhões.

A estatal, no entanto, terminou o quarto trimestre com prejuízo líquido de R$ 5,477 bilhões, em comparação com o lucro de R$ 2,51 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior. Em 2017, a companhia teve prejuízo de R$ 466 milhões, quarto ano seguido no vermelho.

Nem todas as previsões dos analistas contavam com efeitos não recorrentes. Excluindo as projeções de Itaú BBA, Santander e BTG Pactual, que não colocavam esses efeitos na conta, a companhia teria registrado prejuízo de R$ 3,374 bilhões.

Quem chegou mais perto do número final foi o Credit Suisse, que trabalhava com projeção de prejuízo de R$ 4,6 bilhões para o trimestre, mas já alertava para as incertezas do balanço, como as baixas contábeis "difíceis de prever".

Rnest e Transpetro

As baixas contábeis por "impairment" apuradas pela Petrobras em 2017, da ordem de R$ 3,8 bilhões, refletiram, segundo a companhia, valores relativos ao segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e navios da Transpetro, em abastecimento. Foram registradas perdas no segmento de gás e energia.

A Petrobras registrou perda de R$ 1,507 bilhão por desvalorização do segundo trem da Rnest, além de R$ 364 milhões em navios Panamax da Transpetro, depois que a companhia decidiu hibernar a construção dos cascos de três embarcações.

A petrolífera teve ainda perdas na recuperabilidade de ativos, como a parcela vendida do campo de Roncador, na Bacia de Campos, equipamentos e instalações vinculados às atividades de produção de óleo e gás e perfuração de poços, e campos de produção de óleo e gás no país.

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