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Dólar ronda R$ 3,30 com tensão por guerra comercial; Ibovespa cai

15/03/2018 13h37

Numa sessão em que as bolsas americanas operam em alta firme, o Ibovespa ingressou num movimento de correção, que coloca o índice abaixo dos 85 mil pontos. Segundo operadores, a queda ainda deve ser entendida como realização de lucros, após ganhos fortes e num momento em que há dúvidas sobre o efeito que a política americana, claramente mais protecionista, terá sobre mercados emergentes.

Às 13h25, o Ibovespa caía 0,76% para 85.400 pontos. Na mínima, tocou os 85.036 pontos.

A queda é bastante generalizada e alcança diferentes setores. Mas siderúrgicas, Vale e Petrobras as que se destacam no terreno negativo e pesam sobre o índice.

Gerdau Metalúrgica PN era a maior queda do índice (-3,66%). Gerdau PN recuava 3,49%, CSN cedia 2,5% e Usiminas perdia 2,03% Já Vale perava em baixa de 0,61%.

O destaque, sem dúvida, é Petrobras, que divulgou seu balanço hoje e mostrou um prejuízo maior do que o esperado. No quarto trimestre, o resultado ficou negativo em R$ 5,5 bilhões, ante estimativa média de R$ 494 milhões. Essa frustração veio do provisionamento de R$ 11,2 bilhões para o pagamento do acordo que encerrou a ação coletiva por investidores nos Estados Unidos. Não fosse isso, a empresa poteria ter tido um lucro de R$ 7,09 bilhões. E, por isso, não é vista como um fator que altere as perspectivas positivas para a companhia.

Mais do que o resultado em si, chamou a atenção do mercado a decisão da empresa de que a empresa já pediu estudos para voltar a pagar vididendos os juros sobre capital própro trimestral. Evento que eleva a chance de haver distribuição de resultados já no próximo trimestre.

Ainda assim, as ações da empresa são castigadas, não apenas pela reação ao prejuízo mas, principalmente, pelo ambiente negativo na bolsa.

Às 12h48, a ação PN recuava 3,08% e tinha o maior volume financeiro da bolsa, de R$ 758,7 milhões. Já Petrobras ON caía 1,95%, também com forte giro, de R$ 178 milhões.

O clima negativo hoje ainda se deve, segundo o sócio da Rosenberg Investimentos Marcos Mollica, à precoupação com o efeito da mudança no governo americano, que elevou os riscos de uma política mais protecionista por parte dos Estados Unidos. Após o avanço das posições compradas em bolsa, esse elemento provoca uma queda mais intensa das ações por aqui. "O humor do mercado mudou por causa da preocupação com a política americana. E isso pegou o mercado local com posição técnica desfavorável, o que explica o fato de a bolsa aqui cair mais do que outras", afirma Mollica.

O especialista explica que o mercado chegou a operar sob o efeito da aposta de que o Banco Central prolongaria ainda mais o ciclo de alívio monetário - expectativa que já foi esfriada pelo Banco Central, que tentou corrigir os excessos. E agora, faz ajustes. "Além disso, há alguns fatores idiossincráticos, como a crise da BRF, as dúvidas sobre a privatização da Eletrobras, a ameaça de mudança da política de preços da Petrobras, movimentos que justificaram muitas correções", explica.

Dólar

O dólar vai às máximas em um mês ante o real nesta quinta-feira, flertando com o patamar de R$ 3,30 e registrando no Brasil a maior alta nos mercados globais de câmbio.

O dia de pressão no câmbio doméstico - que contrasta com a paradeira das últimas semanas - reflete basicamente o noticiário externo, dominado por renovados temores de guerra comercial e desta vez por aumento de tensões diplomáticas.

Após os ruídos causados pelo anúncio do governo Trump de aumento de tarifas de importação a aço - medida que prejudicou também o Brasil -, investidores agora analisam a meta da Casa Branca de cortar em US$ 100 bilhões o déficit comercial dos EUA com a China.

O receio é que Washington adote medidas mais diretas na direção de Pequim, o que poderia ter desdobramentos negativos a mercados emergentes que exportam para o gigante asiático.

Os números da balança comercial brasileira deixam claro a estreita relação do comércio exterior do Brasil com a China. Em 2017, o país asiático se manteve como o principal destino das exportações brasileiras (22% do total). Dos US$ 67 bilhões de superávit comercial recorde no ano passado, 30% vieram exclusivamente do comércio Brasil-China.

Além de questões comerciais, investidores temem que um aumento de ruídos geopolíticos crie ambiente menos propício a investimentos, o que ameaçaria a tese de crescimento global sincronizado que tem beneficiado mercados emergentes. A Rússia classificou como "irresponsável" a posição do Reino Unido de anunciar sanções relacionadas ao envenenamento de um ex-espião russo na Inglaterra.

Às 13h25, o dólar comercial subia 0,74%, a R$ 3,2847. Na máxima, a cotação foi a R$ 3,2954, pico desde 14 de fevereiro (R$ 3,297).

Juros

As preocupações com uma guerra comercial no exterior voltam a pesar nos mercados brasileiros nesta quinta-feira. Embora numa magnitude menos intensa que os demais segmentos financeiros, os juros futuros também são afetados pelo ambiente externo mais adverso, com alta nas taxas intermediárias.

Em alta desde a abertura, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2021 avançava 1 pontos-base para 8,250%, por volta das 12h30.

Por outro lado, o comportamento dos juros mais longos mostra que a percepção de risco vindo do exterior ainda é contida. O DI janeiro/2025 operava estável, a 9,520%.

ODI janeiro/2019 operava estável a 6,485% e o DI janeiro/2020 - que reflete apostas para Selic até o fim do ano que vem - subia a 7,390% (7,350% no ajuste anterior).

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