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Juros de curto prazo caem com redução da expectativa de crescimento

A frustração com o ritmo de crescimento da economia sinaliza que ainda há espaço para estímulo monetário no Brasil. Com a inflação bem-comportada, os dados mais fracos de serviços e vendas no varejo reforçam, nesta terça-feira (13), a leitura de que os juros podem permanecer baixos por mais tempo, o que explica a queda dos juros futuros.

Algumas grandes instituições, inclusive, já começam a revisar seus números para a expansão do PIB. O Bradesco reduziu sua estimativa e agora projeta alta de 2,5%, ante 2,8% na projeção anterior. O Itaú manteve sua leitura para o ano, de 3%, mas cortou pela metade o crescimento esperado no primeiro trimestre, a 0,5%.

As novas expectativas sinalizam que a economia ainda não respondeu totalmente ao impulso monetário trazido pela queda da Selic. E por isso, a política monetária pode se manter em território expansionista por mais tempo. O Santander Brasil aposta que a Selic deve começar a subir a partir do segundo semestre de 2019 para 7,5% até o fim do ano. O cenário foi revisado recentemente, com corte de 1 ponto ante a estimativa anterior.

A semana contou com uma série de indicadores que amparam a visão de juros baixos por mais tempo. Hoje, foi a vez do volume da atividade de serviços, que cresceu apenas 0,1% em fevereiro. O resultado reforçou o sinal de morosidade econômica, que já tinha sido apontado na quinta-feira (12) pela queda de vendas no varejo. E vale lembrar que os números mais recentes de atividade acompanham a tendência da inflação: o IPCA subiu apenas 0,09% em março, ainda mais baixo que o esperado de 0,12%.

Os dados serviram de gatilho para o mercado apostar num cenário de juros baixos por mais tempo ou uma alta mais amena de taxas mais para frente. Esse é um '"trade" que vinha sendo represado, diz o operador Matheus Gallina, da Quantitas. "Os dados abriram uma janela e o mercado operou sobre uma postergação do ciclo de alta", acrescenta.

Isso se traduz na queda dos juros curtos, enquanto os longos continuaram em alta. A tendência pode ser estendida na semana que vem, que traz o IBC-Br e o IPCA-15 de abril para detalhar o ritmo de atividade e inflação, respectivamente.

Por causa da baixa demanda na economia, a inflação deve ficar abaixo do centro da meta, de acordo com as projeções dos especialistas para este e o próximo ano.

"O que está começando a acontecer é a percepção de que a atividade (PIB) de 2018 não vai ser o que se projetava no final do ano de 2017, vai ser mais baixa", diz o estrategista Paulo Nepomuceno, da Coinvalores. E assim, não há tanto espaço para a inflação acelerar no curto prazo.

Olhando para o curtíssimo prazo, entretanto, a chance de um afrouxamento monetário para além de um corte da Selic em maio ainda é dúvida. Neste primeiro semestre, o Copom tem mais duas decisões: a do mês que vem tem amplas expectativas de baixa da taxa, enquanto o anúncio de junho é visto com ceticismo.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 marcava 6,225% (6,225% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 recuava a 6,920% (6,980% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 caía a 9,190% (9,120% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 tinha taxa de 9,730% (9,640% no ajuste anterior).

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