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Dólar bate R$ 3,43 e juros futuros sobem com pressão externa

23/04/2018 10h09

O dólar inicia a semana sob pressão externa, rondando o nível de R$ 3,43, enquanto os juros futuros também apontam para cima. A nova rodada de alta nos juros dos títulos do Tesouro americano se traduz em avanço generalizado da divisa americana nas praças internacionais, com efeito mais intenso ante emergentes.

Rand sul-africano e o peso mexicano encabeçam os piores desempenhos ante o dólar nesta manhã. O real tem uma colocação ligeiramente melhor, mas não se distancia tanto dos pares. Numa lista de 33 divisas globais, a moeda brasileira fica no nono lugar mais negativo.

O movimento é atribuído a preocupações com a inflação nos Estados Unidos, o que poderia levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a endurecer seu aperto monetário. O juro da T-note de 10 anos tocou, mais cedo, o nível de 3% antes de se acomodar em torno de 2,99%. Na sexta-feira, a taxa já fechou no maior nível desde janeiro 2014.As chances de, pelo menos, quatro altas de juros em 2018 estão em 49,1% ante 39,4% há uma semana, de acordo com cálculos do CME Group, com base nos juros futuros americanos.

Para alguns especialistas, a valorização das commodities - que desencadeou o sinal de alerta - pode não ser firme o suficiente para um pico inflacionário. No curto prazo, a percepção é que um possível aumento da inflação nos EUA pode levar a uma correção adicional em alguns mercados, como de ações. Mas isso estaria ligado mais ao nível de preços do que a um enfraquecimento dos fundamentos macroeconômicos.

Para o chefe global de pesquisa na gestora Ashmore, Jan Dehn, não é a alta das commodities que conduzirá a um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. "O Federal Reserve deve olhar para além dos preços de petróleo, isso é só um dos componentes da inflação", diz o especialista. O risco estaria, de fato, na política fiscal expansionista de Donald Trump.

Ainda assim, o Banco Central (BC) americano estaria limitado em sua capacidade de elevar juros, "a não ser que deseje um crash no mercado de ações". No fim das contas, diz Dehn, a alta das commodities é mais benéfica aos emergentes. "Os investidores devem aproveitar esses revezes para adicionar posições compradas em emergentes em valores melhores", acrescenta.

Por volta das 10 horas, o dólar comercial subia 0,77%, a R$ 3,4370.

O contrato futuro para maio, por sua vez, avançava 0,67%, a R$ 3,4390.

Os juros futuros operam na mesma direção que a taxa de câmbio. O DI janeiro/2021 subia a 7,920% (7,870% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 avança a 9,130% (9,070% no ajuste anterior).