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Dólar volta a ganhar força de olho em agenda carregada nos EUA

30/04/2018 14h00

O dólar caminha para a alta mensal mais intensa desde novembro de 2016, com salto de 5,5% ante o real. O sinal é reforçado na última sessão de abril, quando volta a prevalecer a dinâmica de avanço global da divisa americana.

Os agentes financeiros aguardam novos indícios sobre o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos. Na próxima quarta-feira (2), logo após o feriado de 1º de maio no Brasil, o Federal Reserve (Fed) vai anunciar sua decisão de política monetária. Não é desta vez que o banco central americano deve subir juros. No entanto, persiste a cautela sobre um endurecimento do tom para seus próximos passos.

"O que o mercado buscará extrair do documento é se o Fed sancionará ou não a abertura dos juros nos últimos dias, que precificam quase o nosso cenário base de mais três altas nas Fed Funds em 2018", dizem os especialistas do Bradesco em nota.

Juros mais altos nos Estados Unidos diminuem a atratividade de ativos de risco. Não é à toa que as moedas emergentes encabeçam a lista dos desempenhos mais fracos do mês entre as principais divisas globais.

Além da pressão externa, as incertezas com o quadro eleitoral vieram à tona nas últimas semanas, mesmo com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O vácuo eleitoral deixado pelo petista não foi ocupado pelos candidatos mais alinhados à agenda de reformas, como gostariam os profissionais de mercado. Enquanto isso, nomes menos tradicionais da política - os chamados "outsiders" - ganha projeção na corrida presidencial.

Uma das principais dúvidas é a capacidade de o futuro presidente, seja quem for, de levar adiante o ajuste fiscal. Agentes financeiros veem com bons olhos alguns nomes que encabeçariam a equipe econômica, mas ainda questionam o poder de articulação com o Congresso. "Um ministro da Fazenda sozinho não faz um governo, nem uma pauta econômica, é preciso ter nomes que saibam lidar com os parlamentares, e ninguém ainda demonstrou ter esse controle", diz um economista.

Por volta das 13h45, o dólar comercial subia 0,68%, a R$ 3,4863.O contrato futuro para maio avançava 0,71%, a R$ 3,4815, enquanto o dólar para junho - mais negociado a partir de hoje - subia 0,78%, a R$ 3,4970.

Ibovespa

O Ibovespa tem uma sessão morna, de baixo volume de negócios e oscilações contidas. Mas, mesmo com o ritmo lento, o índice caminha para terminar o mês, marcado por muita instabilidade, ainda com alguma valorização.

Às 13h50, o Ibovespa caía 0,31%, aos 86.177 pontos. A bolsa local acompanha de perto o desempenho do mercado americano que, mais cedo, exibia alguma valorização. Apesar dessa falta de vigor, até o momento, o índice acumula alta de 1% em abril, o que pode ser entendido como um resultado favorável. Foi neste mês que o Ibovespa chegou a perder os 83 mil pontos, pressionado tanto pelo cenário político instável e dados de atividade mais fracos como pela alta dos juros dos Treasuries, movimento que gerou forte ajuste de posições no mundo.

Hoje, as oscilações modestas das ações confirmam que investidores evitam assumir posições, dada a agenda carregada que terão de enfrentar nos próximos dias e o quadro doméstico ainda incerto. A espera pela reunião do Fed é considerado o evento mais importante desta semana, com potencial de agitar os ativos. Isso contribui para evitar grandes movimentos no mercado local.

Via Varejoé a maior alta no momento, com ganho de 2,36%, seguida de Magazine Luiza (1,85%). Já a maior queda era BRF ON (-3,50%), seguida de Embraer ON (-2,30%).

Juros

O mercado de juros futuros trabalha com a liquidez diária mais baixa desde o começo de 2017. O feriado no Brasil e em boa parte das praças internacionais, amanhã, já seria motivo suficiente para aumentar a cautela e afastar os players das mesas de operação. Mas o ambiente de negócios ganha um tom um pouco mais defensivo por causa da agenda carregada de eventos econômicos nos Estados Unidos nos próximos dias.

O giro por minuto até o momento está em menos de 800 contratos, comparável aos números meados de janeiro do ano passado. E sem liquidez, as taxas dos contratos de DI operam em alta, seguindo o sinal do câmbio e dos ativos internacionais.

Os agentes financeiros aguardam novos indícios sobre o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos. Na quarta-feira, logo após o feriado de 1º de maio no Brasil, o Fed anunciará sua decisão de política monetária. Não é desta vez que o banco central americano deve subir juros. No entanto, persiste a cautela sobre um endurecimento do tom para seus próximos passos.

E não é só hoje que o mercado trabalha sob alguma pressão externa. Os juros futuros, principalmente de prazos mais longos, subiram no acumulado do mês de abril. Os contratos de DI para daqui dez anos voltaram aos dois dígitos, sinalizando o aumento da percepção de risco. O DI janeiro de 2029, por exemplo, marca 10,180% hoje, num avanço de 20 pontos-base ante o nível de 9,980% no fechamento de março.

Na outra ponta, diminuiu muito a chance de a meta Selic cair para 6% neste ano. Ainda assim, a inflação baixa e recuperação ainda lenta da atividade parecem preservar a queda de 0,25 ponto percentual da taxa, a 6,25%, na próxima decisão do Copom. A probabilidade de colegiado aplicar o corte da Selic em 16 de maio gira atualmente em mais de 70%, de acordo com os preços no mercado de DI.

Por volta das 14h, o DI janeiro/2019 marca 6,225% (6,215% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 aponta 6,960% (6,910% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 registra 7,950% (7,900% no ajuste anterior);DI janeiro/2023 projeta 9,160% (9,110% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 tem taxa de 9,700% (9,640% no ajuste anterior).

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