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Dólar caminha para maior alta mensal desde setembro 2015

O dólar cravou o quarto pregão consecutivo de alta frente ao real, devolvendo todo o alívio registrado com o reforço das intervenções do Banco Central no mercado cambial. Nas últimas quatro sessões (incluindo a de hoje), o dólar subiu 3,10%. Nas três quedas seguidas registradas anteriormente, a moeda havia perdido também 3,10%.

O real ainda conseguiu mostrar desempenho melhor que vários de seus pares emergentes nesta terça-feira. Peso mexicano, zloty polonês, rand sul-africano e peso colombiano, por exemplo, caíam mais de 1% no fim da tarde.

Já a moeda brasileira perdeu 0,25%. Com isso, o dólar fechou a R$ 3,7373, bem próximo da máxima em mais de dois anos registrada em meados de maio.

A alta do dólar foi moderada, mas suficiente para elevar os ganhos no acumulado do mês para 6,70%. Amanhã é a última sessão de maio e, mantido esse ritmo, o dólar fechará o período com a maior valorização mensal desde setembro de 2015.

Naquele mês, os ativos brasileiros sofreram uma forte onda de liquidação, em meio à perda do grau de investimento. O dólar disparou mais de 9%, alcançando uma máxima recorde de quase R$ 4,25.

Hoje, o que impediu que o real se depreciasse ainda mais foi a sinalização do Banco Central, dada ontem à noite, de que manterá as ofertas adicionais de liquidez tanto no fim de maio quanto a partir do início de junho. Com isso, o BC sana dúvidas de que poderia interromper as vendas extras de dólar com a virada do mês.

Além disso, o BC já indicou que começará na próxima sexta-feira, dia 1º, as rolagens do vencimento de mais de US$ 8,5 bilhões em swaps cambiais previsto para 2 de julho.

O BC precisou reforçar as vendas de swap conforme o dólar subia em linha reta e já flertava com R$ 3,80. Nem mesmo a surpresa com a estabilidade da Selic em 6,50% conseguiu segurar a pressão no mercado de câmbio.

Para o Goldman Sachs, a "contínua" incerteza política provavelmente manterá "elevado" o prêmio de risco no câmbio. Mas a expectativa é que, em caso de maior clareza política, os preços do real e o quadro macro brasileiro abram espaço para um desempenho potencialmente melhor para o real.

Nos cálculos dos estrategistas do banco, o valor "justo" para a taxa de câmbio - considerando equilíbrio de fluxos para conta corrente - é de R$ 2,85 por dólar. Ou seja, o real está com excesso de fraqueza na casa de 24%.

Mas alguns analistas ainda veem com ressalvas chances de alguma recuperação do câmbio no curto prazo. Para Rafael Biral, diretor da mesa de clientes do Standard Chartered Bank no Brasil, ainda não é hora de fazer investimentos de curto prazo nos mercados domésticos, mesmo com os preços mais baixos após o recente "sell-off".

"No curto prazo, ainda é preciso resolver alguns problemas mais imediatos", diz, referindo-se desde a crise dos combustíveis até a ausência de cenário mais claro para as eleições. "Não vejo, por exemplo, nenhuma razão para o real estar se apreciando neste momento. E por isso não acredito que a alta do dólar até aqui seja fora de contexto ou excessiva."

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