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Juros futuros: maio é marcado por alta das taxas e prejuízo

30/05/2018 17h39

O mês de maio termina para o mercado brasileiro de juros com taxas bem mais elevadas e prejuízo aos investidores. O quadro só não é pior porque, nesta quarta-feira (30), a disparada deu uma trégua, mas a perspectiva está longe de ser positiva.

O respiro veio no fim da tarde quando o Tesouro Nacional anunciou que dará continuidade ao programa de recompras diárias de NTN-F. A intervenção no mercado deve ocorrer nas próximas três sessões - nos dias 1º, 4 e 5 de junho- dando sequência aos três leilões que ocorreram nesta semana.

Mais do que as compras, agradou a sinalização de que a instituição pode reduzir a oferta de títulos com vencimentos mais estendidos. Como apontou, Lucinda Pinto,a coordenadora de mercados do Valor PRO-serviço de informações em tempo real do Valor-, o grande "tomador" de juros sai de cena, contribuindo para diminuir a pressão sobre esse mercado.

O DI janeiro/2027 terminou a sessão regular negociado a 11,680% (11,650% no ajuste anterior), bem distante das máximas da sessão quando bateu 12,170%. No pico da sessão, as taxas estavam rondando níveis que não eram vistos desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.Alguns trechos da curva de juros até encontraram espaço para leve baixa, comoo DI janeiro/2021, que caiu a 8,900% (8,950% no ajuste anterior).

O anúncio do Tesouro pode não ter sido tão amplo como alguns operadores cogitavam. Ainda assim, mostra uma resposta da instituição à instabilidade que tomou o mercado nos últimos dias, com solavancos ainda mais intensos ao longo desta quarta-feira.

O que também ajudou a potencializar a trégua foi, de acordo com operadores, o fim de uma grande zeragem de posição de um fundo de investimentos. Até por isso, há espaço para alguns ajustes daqui para frente, mas os investidores já devem começar junho menos dispostos a assumir riscos.

Prejuízos

O desânimo é justificado também pelos prejuízos ao longo do mês de maio. As aplicações em títulos públicos sofreram o maior tombo desde 2015, de acordo com dados da Anbima até ontem.

O IMA, que mostra as variações das carteiras de títulos públicos, registra queda de 1,5%. Essa foi a primeira baixa mensal desde setembro de 2015 (-0,04%). As perdas foram ainda mais intensas em investimentos de prazos mais longos. O IRF-M 1+, que acompanha os prefixados acima de um ano, recuou 2,7%, ainda pior que as perdas de agosto (-2,1%) e setembro (-2,3%) de 2015, quando a S&P tirou o grau de investimentos do Brasil.

Preocupações com a estabilidade geopolítica e incertezas sobre o ritmo de aperto monetário das economias desenvolvidas são o pano de fundo mais adverso no exterior.

Greve dos caminhoneiros

Se já não bastassem os ventos adversos, que atingiram os emergentes, o cenário político no Brasil só piorou com a greve dos caminhoneiros e a crise dos combustíveis, que intensificaram o sinal de alerta com a disputa presidencial e os riscos em torno do ajuste fiscal. Mexeu no mercado também a surpresa com a decisão do Banco Central de manter a Selic em 6,50%, exigindo reorganização das apostas.

Não é à toa que, voltando ao mercado de DI, o salto no mês para as taxas com vencimento de 8 a 10 anos foi o mais intenso desde meados de 2015. O DI janeiro de 2027 subiu 163 pontos-base, o que fica próximo da disparada de 136 pontos do DI janeiro de 2023 - referência da época, em setembro de 2015.

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 subiu a 6,815% (6,775% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 marcou 7,760% (7,770% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 recuou a 8,900% (8,950% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 registrou 10,600% (10,610% no ajuste anterior), o DI janeiro/2025 marcou 11,300% (11,250% no ajuste anterior), oDI janeiro/2027 subiu a 11,680% (11,650% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2029 ficou em 11,910% (11,860% no ajuste anterior).

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