ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Dólar opera em queda em dia de trégua para emergentes

19/06/2018 13h42

Após enfrentar um ambiente externo mais adverso no começo do dia, o dólar já reverteu a alta e recua contra o real na sessão desta terça-feira. O mercado brasileiro inicia o período vespertino com um dos melhores desempenhos diários entre as divisas globais, mesmo sem nova oferta líquida de swaps cambiais até o momento.

O movimento acompanha, em boa parte, uma acomodação de alguma das principais emergentes ao longo do dia. No entanto, o alívio acaba sendo mais acentuado por aqui já que o mercado local teria um espaço maior para correção diante da dinâmica negativa das últimas semanas.

Por volta das 13h35, o dólar comercial caía 0,16%, a R$ 3,7342.O contrato futuro para julho, por sua vez, tinha baixa de 0,40%, a R$ 3,7375.

Numa lista de 33 moedas, o real fica na segunda melhor colocação num desempenho que só perde para o iene do Japão. A melhora ao longo da manhã também foi observada no peso mexicano, que mais cedo chegou a perder 1% para o dólar.

Para operadores, esse alinhamento do real com os pares tem sido beneficiado pela intervenção continua do Banco Central com leilões de contratos de swap cambial. Por enquanto hoje, ainda não foi anunciada uma oferta líquida desses derivativos, mas a expectativa é de que ocorra ao longo da sessão.

Para Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, o BC deve aproveitar sua comunicação recente e dosar as ofertas de swap de acordo com a necessidade, sendo que - a priori - ainda tem US$ 9 bilhões dos US$ 10 bilhões sinalizados para ofertar ao mercado nesta semana. Porém, a não ser que a pressão leve a excessos no mercado local, ainda não se enxerga necessariamente uma elevação no "tom" de tais intervenções.

O pano de fundo diz respeito a preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. O presidente americano, Donald Trump, pediu que identifiquem US$ 200 bilhões em produtos da China para serem sobretaxados em 10%. A China indicou que pode responder na mesma dose.

A relativa trégua do mercado de câmbio nesta terça-feira não significa que um ponto de equilíbrio já tenha sido encontrado, de acordo com profissionais de mercado. O nervosismo no mercado deve prevalecer daqui para frente, pelo menos, até que haja uma sinalização mais clara do campo político. Por ora, na visão do especialista, falta compromisso dos candidatos à Presidência com os ajustes que precisam ser feitos na economia.

"Ainda não tem nada que ajude para apostar numa melhora do cenário", diz um especialista. "O mercado de câmbio vai continuar nervoso até uma sinalização mais positiva do quadro político", acrescenta.

Em um prazo mais longo, a tendência cambial será ditada pelos fundamentos, os quais, em cenários sem reforma da previdência e outras ações desfazendo a camisa de força dos gastos obrigatórios (em âmbito federal e regional), poderão sofrer forte pressão, diz o Rabobank Brasil. Essa perspectiva negativa pode fazer a taxa de câmbio cruzar o patamar de R$ 5 por dólar no final do ano. "Este não é nosso cenário básico, mas é um risco a ser considerado em função das incertezas atuais (especialmente de ordem política)", aponta o banco em nota.

Juros

O mercado de juros futuros iniciou a sessão de hoje com alta nas taxas, seguindo a tendência externa negativa com a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. O movimento, no entanto, se esgotou no fim da manhã com os patamares já altos dos contratos de DI e o movimento se inverteu.

Ganhou peso o cenário local e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros (Selic), que deve ser anunciado amanhã. Enquanto os economistas são quase unânimes sobre a expectativa de manutenção no patamar atual - 44 de 45 economistas ouvidos pelo Valor não esperam mudança -, as apostas do mercado de juros começam a convergir para esse mesmo cenário e contribuem para a queda dos vértices mais curtos da curva.

No começo da tarde oDI janeiro/2019 tem taxa de 7,090% (7,155% no ajuste anterior),DI janeiro/2020 é negociado com taxa de 8,600%, (8,8% no ajuste anterior),DI janeiro/2021 tem taxa de 9,590% (9,79% no ajuste anterior),DI janeiro/2025 tem taxa de 11,820% (12,03% no ajuste anterior).

Mais Economia