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A Terra Prometida e o Deserto Antes: as dificuldades de estudar para concurso

William Douglas

William Douglas

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Série: A Terra Prometida e o Deserto Antes

Parte IV – O Muro

Em março deste ano dei início a uma nova série de artigos aqui no UOL narrando a história de Concurciro, um rapaz pobre que resolve aceitar o desafio dos concursos e dá seus primeiros passos nessa grande aventura. No episódio anterior desta jornada épica rumo à aprovação, Concurciro descobriu que existe uma verdadeira rede de concurseiros, dicas e técnicas de estudo, artigos e materiais para auxiliar sua aprovação. Após assistir online a palestra "Como Passar em Provas e Concursos" (link encurtado e seguro: http://zip.net/bdtjmD), decidiu investir em seu futuro, em sua qualificação, e colou no espelho do banheiro a mensagem: "A diferença entre o sonho e a realidade é a quantidade certa de tempo e trabalho".

Na manhã seguinte, foi acordado por seu irmão tentando colar o post-it na sua testa e rindo baixinho. Resolveu não ligar, refez o post-it e colou novamente no cantinho do espelho, lavou o rosto e foi tomar café para estar animado para o seu primeiro dia de estudos.

Concurciro nunca foi um aluno exemplar, mas estava disposto a dar uma nova chance aos livros. Em sua primeira tentativa, ele abriu o livro ainda deitado e, com uma caneta marca textos na mão, começou a ler. Foi acordado com o peso do livro caindo sobre seu rosto. Decidiu sentar-se. Começou a ler sublinhando tudo que achava importante, quase tudo o que via pela frente. Ao final do primeiro capítulo, tinha a sensação de que destacou apenas aquilo que deixou de sublinhar, tamanho o volume de marca texto nas páginas. Decidiu preparar um café.

Outro dia resolveu sentar-se no sofá e ligar a TV para ter "algum barulho" ao fundo. Deu-se conta de que estava assistindo "Mais Você" com o livro na mão. Desligou a TV e colocou os fones de ouvido no celular para escutar música. Lia enquanto cantarolava baixinho. No final da página, teve de repetir a leitura, não tinha entendido nada. Fez uma pausa para conferir as redes sociais e responder aos vários grupos do WhatsApp. Anoiteceu.

Os primeiros dias de estudo passaram dessa forma, até o dia em que foi acordado duas vezes por sua mãe porque estava babando no livro. Esse foi o momento em que percebeu que deveria haver uma maneira melhor de fazer aquilo. Pegou uma mesa de costura antiga que sua mãe não usava mais e transformou em uma escrivaninha. Separou uns marca textos e abriu o livro decidido que só sairia da mesa quando entendesse tudo. Três horas de estudo depois - sem pausa e sem nem beber água - e Concurciro não lembrava sequer do último conceito lido.

Não ajudava muito seus irmãos não darem sossego, tirando sarro da sua mudança, repentina, de atitude. Sua namorada também não parecia entender muito e as mensagens e ligações se tornavam mais frequentes na medida em que ele se concentrava mais no estudo. Ele parecia ter chegado a um muro, estava motivado, mas o estudo não rendia, começara a estudar, mas sua família, amigos e namorada pareciam não entender o que estava acontecendo. Algo tinha de mudar.

Tudo parecia estar perdido para nosso herói. Ele chegara a um impasse, o estudo não rendia, as pressões se reforçavam, os resultados pareciam distantes...

No próximo capítulo desta saga veremos como Concurciro lidou com a pressão familiar e com os desafios do estudo. Esperamos que você continue nessa jornada junto conosco, e nos conte o que acha da história de Concurciro e um pouco mais da sua própria história, como você se interessou por concursos, quais foram as primeiras percepções sobre a preparação.

E não perca os próximos capítulos dessa trajetória que começou meio que por acaso e ainda guarda muitas surpresas.

William Douglas

William Douglas é juiz federal, autor e professor.

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