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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como será o futuro (em construção) dos grandes eventos e conferências?

Facebook/Expo Retomada
Imagem: Facebook/Expo Retomada
Denis Braguini Bevacqua

Denis Braguini Bevacqua

https://www.linkedin.com/in/denisbb

Com mais de 15 anos de experiência, Denis Braguini Bevacqua é diretor de eventos da RD Station, precursor de várias tendências no setor e conhecido como um dos grandes responsáveis por tornar o RD Summit o maior evento de marketing digital e vendas da América Latina.

30/09/2021 15h16

A pandemia mudou tudo na indústria de eventos, uma das mais impactadas neste período. Dentro deste contexto, foi preciso inovar. Buscar novos caminhos, um outro olhar, sempre em busca de resultados concretos, de um tempero diferente e de não se deixar enganar por métricas de vaidade.

Os organizadores abraçaram o desafio e se esforçaram para reimaginar desde shows a eventos esportivos e grandes conferências corporativas. Agora, ainda que aos poucos, as coisas caminham para voltar ao normal. Mas seria ao nosso antigo normal ou algo ainda em construção?

Zoom, Teams, Meet, Skype e outras plataformas preencheram a lacuna nas interações do dia a dia tão bem quanto qualquer um poderia esperar. Mas elas não foram criadas para sediar eventos em grande escala. Apesar da ascensão dos eventos online nos últimos dois anos, muitas empresas estão enfrentando desafios de inovação neste importante canal de marketing, networking e geração de negócios.

Como entregar algo além da dupla "webinar/live"?

O problema é complexo: como entregar algo além da dupla "webinar/live"? Seja produzindo um evento, patrocinando projetos de terceiros ou usufruindo como participante, o obstáculo de se oferecer uma experiência única é enorme.

Como manter o networking simples e intuitivo quando existe uma barreira tecnológica e, muitas vezes, a própria maturidade digital dos participantes?

Buscando permitir uma maior interação entre os participantes e marcas, embora ainda aquém da experiência presencial e sensorial, nós pesquisamos e estudamos mais de 80 plataformas para organização e transmissão de eventos.

Os aprendizados e as inovações nascidos durante a pandemia permanecerão. Esse conhecimento, certamente, irá contribuir para que a gente possa tornar nossos eventos muito mais acessíveis e democráticos.

Projetos online precisarão ser mais curtos e dinâmicos

Cada formato (online, híbrido ou presencial) possui vantagens e desvantagens óbvias, sejam do ponto vista do organizador ou do público. Entender essas fortalezas e fraquezas é algo essencial.

Se por um lado é muito mais fácil trazer um palestrante de qualquer lugar do mundo para participar de um evento online, por outro é muito mais desafiador manter a atenção e o engajamento da audiência. Estamos o tempo todo disputando com outras janelas online e offline. Logo, os projetos online precisam ser mais curtos e dinâmicos.

Alguns dos benefícios inesperados das conferências online garantirão que elas sobrevivam neste novo normal: afinal, quando os organizadores não precisam pagar por um espaço físico, eles podem reduzir (ou até eliminar) o preço dos ingressos.

E eventos que não exigem viagens podem atrair um público mais amplo, democrático e sem barreiras geográficas. Por outro lado, a fadiga de telas é real. O propósito do seu evento e a demanda do seu cliente deve estar sempre no centro de toda a estratégia.

Desafio continua sendo a "ruptura com o normal"

O modelo híbrido promete trazer o melhor dos dois mundos, usando os lados positivos do online e presencial. Mas, para os organizadores, a complexidade e os desafios envolvidos também são em dobro.

As melhores conferências no futuro provavelmente combinarão experiências remotas e do mundo real. Eventos presenciais com transmissão ao vivo pela internet serão tendência.

Por sua vez, quem estiver no presencial poderá ter uma jornada diferente de quem está no online -e o desafio dos organizadores será trabalhar os dois formatos com estratégias distintas, mas que conversem entre si.

Todos tivemos que nos adaptar, por falta de escolha, ao virtual. Mas somos criaturas sociais e embora os participantes busquem poder escolher e ter mais controle sobre como e onde gastam seu tempo, boa parte - talvez a maioria -anseie por experiências face a face.

Certo mesmo é que, de um jeito ou de outro, o principal desafio envolvido na organização de qualquer evento não muda: ele deve seguir sendo uma ruptura com o normal, a oportunidade de se fazer algo diferente, aprender, talvez obter alguma nova experiência, tocar o coração dos participantes e não ser apenas mais uma reunião (virtual ou não) para ir.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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