PUBLICIDADE
IPCA
0,24 Ago.2020
Topo

Coluna

Carla Araújo


Carla Araújo

Guedes falta a evento no Planalto, explicita insatisfação e expõe fritura

O Ministro da Economia, Paulo Guedes - Wallace Martins / Estadão Conteúdo
O Ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Wallace Martins / Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

25/08/2020 16h57Atualizada em 09/09/2020 10h50

Não foi por falta de convite e nem de insistência de membros do governo, mas o ministro Paulo Guedes (Economia) preferiu não presenciar nesta terça-feira (25) o evento de lançamento do Casa Verde e Amarela, novo nome do Minha Casa, Minha Vida, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. O programa habitacional do presidente Jair Bolsonaro é capitaneado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o antagonista do Posto-Ipiranga.

No Planalto, as insatisfações de Guedes —que tenta segurar o ímpeto gastador de Marinho— já estão escancaradas. E parecem ser cada vez mais recíprocas. Ministros próximos ao presidente têm dito que não há "ninguém insubstituível" e que Guedes precisa entender, principalmente, o caminho do diálogo.

O Senado aprovou hoje o convite para que o ministro dê explicações sobre declarações de que a Casa havia cometido um crime ao votar por derrubar o veto do presidente ao reajuste dos servidores. Auxiliares do presidente dizem que será mais um desgaste desnecessário para o governo.

Substitutos?

No evento de hoje, o presidente surpreendeu ao chamar o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, de "PG2", já que ele possui as mesmas iniciais do ministro da Economia.

Apesar disso, nas rodas de conversas palacianas o nome que vem sendo ventilado como um possível substituto de Guedes é o do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ontem, em entrevista à CNN, o chefe do BC afirmou que falar em substituição de Guedes é uma "distração" e um "debate que não existe".

O debate pode de fato não estar colocado na mesa do presidente, mas no seu entorno ele representa uma vontade cada vez maior.

A avaliação de auxiliares do presidente é que uma troca consensual de Guedes por Campos Neto não traria grandes traumas ao mercado. Outro titular da Esplanada, porém, ressalta que o chefe do BC tem uma ligação muito forte com o ministro da Economia e que não aceitaria o convite.

Campos Neto também explicita sempre que pode que tem alinhamento de 99% com Guedes e que uma eventual chegada sua ao comando da Economia não traria muitas mudanças.

Guedes e Campos Neto seguem a mesma agenda liberal, o que limita o ímpeto pelo uso de mais recursos públicos, principalmente em um cenário em que o endividamento do país deve alcançar cerca de 100% do PIB ao fim do ano.

Além disso, essa mesma fonte diz que o processo de fritura de Guedes esbarra em uma questão pessoal: diferentemente de Moro, Bolsonaro gosta de Guedes, o respeita bastante e preferia não ter que abrir mão do seu Posto Ipiranga.

Renda Brasil versus Pró-Brasil

Ontem, após uma reunião no gabinete de Bolsonaro, ficou decidido o adiamento do lançamento do Renda Brasil, programa social que substituirá o Bolsa Família, que estava marcado para hoje.

Nesta tarde, Guedes e outros ministros, incluindo Marinho, voltaram a se reunir com o presidente no Planalto. Na pauta, além da extensão do auxílio emergencial, estavam justamente as próximas medidas do governo.

A ideia é fechar hoje o projeto de lei que vai remanejar cerca de R$ 5 bilhões para os ministérios de Marinho e da Infraestrutura, de Tarcísio de Freitas. Segundo uma fonte, há demandas também de parte do Congresso, que gostaria de uma fatia desses recursos para que parlamentares possam direcionar para retomada de obras em suas bases.

O objetivo é enviar o texto o quanto antes para o Congresso. Mas, segundo uma fonte, em uma reunião que tem Guedes e Marinho na mesma sala, a tendência é que saia "muita fumaça".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo