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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ida de Pazuello para a reserva ainda é dúvida entre generais do Exército

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

01/06/2021 15h36Atualizada em 01/06/2021 18h46

A nomeação do general Eduardo Pazuello para um cargo no Palácio do Planalto nesta terça-feira (1º) aumentou as expectativas dentro da caserna para que o ex-ministro da Saúde, finalmente, peça para ir para a reserva.

Apesar disso, até o momento, o Exército não recebeu nenhuma comunicação oficial neste sentido e militares ouvidos pela coluna salientam que a sua nova função não o obrigará automaticamente a ir para a reserva.

Um militar de alta patente ouvido pela coluna diz que acha muito difícil Pazuello ceder aos apelos e deixar as Forças Armadas. Na avaliação desta fonte, o general continuará na ativa já que isso também atenderia aos interesses do presidente Bolsonaro.

Isso porque, mas palavras deste militar, "com Pazuello na ativa e despachando no Planalto, Bolsonaro continuará tentando arrastar o Exército para a política, o que é lamentável"

Pazuello vem resistindo a deixar a Força e usa como argumento que precisaria do respaldo dos militares enquanto durasse a CPI. Agora, que despachará a poucos metros do presidente.

A informação do novo cargo de Pazuello, que deverá somar seus vencimentos nas Forças com o salário de R$ 16 mil, pegou de surpresa alguns generais da ativa, que disseram que não esperavam que o presidente Jair Bolsonaro reforçasse ainda mais o apoio ao general.

Procedimento em curso

Na última quinta-feira, Pazuello enviou ao Comando do Exército sua resposta sobre o procedimento disciplinar que foi aberto pela força para apurar a participação do general em um ato político com o presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro.

O documento é sigiloso e não deve ser tornado público pelo Exército.

A linha de defesa do ex-ministro da Saúde, conforme apurou a coluna, seguiu o script que foi apresentado pelo próprio presidente Bolsonaro: de que não se tratava de um ato político.

Apesar disso, membros do Alto Comando ainda defendem algum tipo de punição.

Segundo fontes, mesmo com a nomeação, nada deve mudar no curso do procedimento em apuração no Exército.