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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exército e FAB têm cerca de 90% do efetivo vacinado contra covid

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

12/01/2022 18h33Atualizada em 12/01/2022 21h22

Não há ordens nem obrigatoriedade da vacina contra covid na Forças Armadas do país, mas a ampla maioria dos militares da ativa — assim como a maior parte da população brasileira — optou por se imunizar contra a doença, que matou mais de 620 mil pessoas no Brasil.

No Exército, um levantamento feito no início de dezembro de 2021 apontou que 90% dos 213 mil militares haviam tomado a primeira dose da vacina. Além disso, os números obtidos pela coluna mostram que 65% do efetivo já estava imunizado com as duas doses. E 0,2% recebeu a vacina dose única.

O levantamento mostrou ainda que 2% dos militares haviam tomado a terceira dose ou a dose de reforço.

Na FAB (Força Aérea Brasileira), até o dia 29 de dezembro de 2021, 93% dos cerca de 66 mil militares estavam imunizados ao menos com uma dose das vacinas disponibilizadas contra a doença. Os dados apontam ainda que 65% do efetivo total estava imunizado com as duas doses ou dose única.

"Tal situação demonstra o esforço da FAB em propiciar e incentivar a cobertura vacinal para seu efetivo, priorizando, no início, os militares envolvidos diretamente no transporte aeromédico dos pacientes e os profissionais de saúde, que sempre estiveram na linha de frente no combate à pandemia", afirmou o diretor de Saúde da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Médico Walter Kischinhevsky, em nota.

A coluna questionou a Marinha também sobre o seu efetivo vacinado, mas não obteve retorno. Caso haja resposta a nota será atualizada.

Polêmica com o presidente

No último fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro recebeu o Comandante do Exército, general Paulo Sérgio, para aparar as arestas sobre o discurso de vacinação.

Bolsonaro, que insiste em um discurso antivacina, se incomodou com notícias de que uma portaria editada pelo general passaria a obrigar a vacinação de militares.

Segundo apurou a coluna, o comandante encerrou a polêmica com o presidente reforçando que "não há e nem nunca haverá obrigatoriedade" de vacinação nos quartéis.

O mal-estar foi dado como encerrado também por Bolsonaro, que negou ter pressionado o Exército. Além do café com o comandante, Bolsonaro tomou ciência de que havia outras normas vigentes — editadas pelo Ministério da Defesa, comandado por Braga Neto - que tratavam do tema.

Generais ouvidos pela coluna destacaram que está mantida a ordem de "dar o assunto por encerrado" e salientam que há uma cultura vacinal no Brasil. "A politização do tema desvirtua o foco que é discutir um problema de saúde pública", disse um militar de alta patente.

Aumento de casos e vacinação

O Brasil vive um aumento de casos de covid por conta da variante ômicron e das festas de fim de ano, mas os especialistas apontam que as pessoas que não se vacinaram são as principais responsáveis pelo aumento nos indicadores de casos de infecção e de internações causadas pela doença.

"Nós estamos enfrentando uma pandemia dos não vacinados. E quando a gente fala dos não vacinados, nós estamos falando das pessoas com mais de 18 anos que não completaram seu esquema vacinal e nós estamos falando nas crianças que ainda não foram vacinadas", disse nesta quarta-feira (12) o médico João Gabbardo, coordenador do comitê científico que assessora o governo de São Paulo.

Já intensivista e cardiologista Ludhmila Hajjar declarou que atualmente as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) estão lotadas de pacientes não vacinados contra a covid-19 e alertou para os danos da doença entre profissionais da saúde.

A médica foi cotada para assumir o Ministério da Saúde no lugar do ex-chefe da pasta, o general Eduardo Pazuello, em março de 2021, mas recusou o convite do presidente Jair Bolsonaro (PL).

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