Tem FGTS aplicado em ações da Vale e Petrobras? Analistas recomendam manter

Letícia Marçal

Do UOL, em São Paulo

As queridinhas do mercado Vale e Petrobras vêm perdendo o posto. Se antes era comum ouvir "investe em Vale e Petrobras que não tem erro", hoje o conselho é de cautela.

As ações estão em trajetória de queda. As preferenciais da Petrobras (PETR4), que dão prioridade na distribuição de dividendos, caíram abaixo de R$ 5 e atingiram o menor valor desde 2003, acumulando perdas de 28,36% só em 2016. As da Vale (VALE5) já tombaram 32,2% neste ano.

O que fazer se você usou o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para comprar as ações? Quem comprou os papéis em corretora deve vender ou manter? E para quem não tem ações: é hora de comprar?

O UOL entrevistou três especialistas sobre o assunto: Angelo Larozi, analista-chefe da corretora Walpires, Bruno Piagentini, analista da Coinvalores, e Leandro Martins, analista da corretora Rico. Veja as recomendações abaixo.

Arte UOL

Investi meu FGTS em ações de Vale e/ou Petrobras. O que fazer?

Mantenha. A recomendação unânime dos três analistas é de que agora não é a hora certa de resgatar o investimento. "As ações sofreram uma forte queda e estão com um preço muito baixo; não vale a pena assumir o prejuízo agora", diz Martins. 

Por exemplo, se você investiu quando as ações valiam R$ 10 e agora elas estão valendo R$ 5, se vendê-las você terá um prejuízo garantido. Se esperar até as ações subirem, pode ter uma perda menor ou, eventualmente, até lucrar.

Larozi lembra, ainda, que o rendimento do FGTS é muito baixo: 3% ao ano + TR.

Shin Shikuma/UOL

Comprei ações da Petrobras e/ou da Vale. Devo vender ou manter?

Para quem comprou ações da Vale ou da Petrobras por meio de corretoras, o conselho dos especialistas é mantê-las, já que as quedas dos papéis foram grandes.

Se vender agora, o investidor vai arcar com um prejuízo muito grande. As ações devem se recuperar no longo prazo --apesar de o cenário não ser animador para este ano.

Para Piagentini, a decisão de vender ou não depende de cada pessoa, de acordo com critérios como:

  • quanto o investidor aceita perder;
  • data em que comprou a ação;
  • e expectativas no momento da compra: pensava no curto ou no longo prazo?

Para quem está de olho no curto prazo e quer se livrar das ações: a opção é vender em um dia em que elas dispararem, para aproveitar esse ganho. "Mas isso vale apenas para quem está de olho diariamente no papel e domina o noticiário da ação", diz o analista.

Para quem vai manter a ação e não pretende vendê-la no curto prazo: Larozi recomenda fazer operações para reduzir o prejuízo. Um exemplo é o aluguel de ações, que pode ser feito por meio da própria corretora. A ideia é a mesma de um aluguel de carro ou imóvel. O dono dos papéis aluga uma quantidade de ações e, após um período, as recebe de volta, ganhando uma remuneração pelo tempo de empréstimo. 

Tony Gentile/Reuters

As ações de Vale e Petrobras estão baratas; é hora de comprar?

O momento não é bom para comprar, dizem os analistas. O preço das ações está muito baixo, mas a tendência ainda é de queda, já que as duas empresas passam por um cenário delicado e incerto. Por isso, se comprar agora, o investidor pode ter prejuízo. 

"Para que correr o risco? Existem outras ações de empresas muito mais atraentes na Bolsa que podem estar se beneficiando do cenário atual", diz Piagentini. "Nunca compre uma ação porque ela está barata. Você tem que analisar como a empresa está e o retorno que ela pode dar."

Getty Images

Quais as perspectivas para a Petrobras?

A Petrobras tem no seu currículo fatos negativos como a Operação Lava Jato --que investiga um esquema de corrupção na petroleira-- e um alto nível de endividamento. Além disso, é afetada pelo cenário político brasileiro conturbado. A intervenção do governo na estatal também não é bem vista pelo mercado.

No cenário internacional, a queda dos preços do petróleo é outra pedra no sapato da companhia. Uma maior queda dos preços do barril poderia vir a atrapalhar planos com o pré-sal.

E para a Vale, o que esperar?

No caso da Vale, pesa contra a mineradora a desaceleração do crescimento na China, que é o maior importador mundial de minério de ferro. A queda do preço da matéria-prima também é um problema para a empresa.

Além disso, a Vale pode sofrer consequências do rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), ocorrido no ano passado. A Vale é parceira da anglo-australiana BHP Billiton no controle da Samarco.

Bruno Piagentini, analista da Coinvalores, não vê fatores que justifiquem a alta das ações neste momento. Para ele, no entanto, as perspectivas para as ações da Vale são melhores que para a Petrobras.

(Edição: Maria Carolina Abe)

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