Dólar sobe a R$ 4,988 após Lula anunciar plano para indústria; Bolsa cai

O dólar subiu 1,24% e fechou o dia vendido a R$ 4,988. É a maior alta diária desde a primeira sessão do ano, em 2 de janeiro, quando a moeda americana saltou 1,28%. No mês, o dólar acumula valorização de 2,79% frente ao real.

Já o Ibovespa caiu 0,81% e chegou aos 126.601,55 pontos — o menor patamar desde 12 de dezembro (126.403,03 pontos). Em janeiro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) já tombou 5,65%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

Plano para a indústria anunciado por Lula (PT) acelerou a alta do dólar. Chamado de Nova Indústria Brasil, o programa prevê R$ 300 bilhões em linhas de crédito, subsídios e investimentos públicos para estimular o desenvolvimento produtivo e tecnológico. Também tem como objetivos ampliar a competitividade e impulsionar a presença do Brasil no mercado internacional.

Novo programa fez a percepção sobre o risco fiscal no Brasil piorar. Profissionais ouvidos pela Reuters explicaram que, ainda que operações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) sustentem o Nova Indústria Brasil — o que não necessariamente trará impacto fiscal ao governo —, a sinalização para o mercado foi negativa, de forma geral.

Mercado espera por dados e reuniões de política monetária no mundo. Na quinta-feira (25), saem o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA e a decisão sobre os juros do BCE (Banco Central Europeu). Já na sexta (26), está prevista a divulgação da prévia da inflação (IPCA-15) de janeiro no Brasil, além do PCE (índice de despesas de consumo pessoal, na sigla em inglês) dos EUA.

O Ibovespa operou com volume abaixo da média e enfrentou quedas significativas após falas de [Aloizio] Mercadante e Lula. O risco fiscal é um fator que deixa o mercado inseguro e colabora para que a nossa Bolsa caminhe na contramão do exterior. A nova política industrial, com foco em incentivos fiscais para setores específicos, gerou preocupação entre investidores.
Lucas Almeida, sócio da AVG Capital

(*Com Reuters)

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