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Quer mudar de carreira, mas acha que passou da idade? Veja 5 dicas

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

O japonês Taikichiro Mori, que foi dono de uma construtora em Tóquio, ocupou o topo da lista da Forbes de pessoas mais ricas do mundo em 1991 e 1992.

Quando morreu, em 1993, tinha 88 anos e um patrimônio estimado em US$ 13 bilhões, o dobro do que tinha Bill Gates, americano mais rico na época. Mas esse império só começou a ser erguido quando Mori estava com 55 anos. Antes disso, ele era um professor universitário de economia. 

O exemplo dele mostra que nunca é tarde para mudar de área de trabalho. 

"Pode acontecer no início da carreira, ou aos 40, 60 anos. O importante é monitorar se o rumo que está seguindo é coerente com seus objetivos de vida", afirma o professor Marco Antônio Teixeira, coordenador adjunto do SOP-UFRGS (Serviço de Orientação Profissional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

"Hoje em dia, a longevidade é maior. Um profissional de 60 anos pode estar no auge da sua capacidade e com uma expectativa de viver mais 20 anos ainda", afirma Marcos Aurélio de Araújo Ferreira, sócio da consultoria de carreiras Formare Associados.

Aceitar o seu desejo, no entanto, não é fácil. Segundo o professor Teixeira, as privações depois dessa decisão podem ser frustantes, já que iniciar uma nova carreira leva tempo, dinheiro e esforço emocional.

O desejo de ir para outra área, porém, não significa que se fez uma escolha errada no passado. Pode ser uma mudança nas prioridades da vida. "Todos mudam ao longo dos anos. A pessoa pode encontrar novas prioridades ou atingir uma estabilidade e não se sentir mais desafiada", afirma Teixeira.

Achar atalhos

Os anos de experiência em uma área podem servir para encurtar caminhos na nova carreira. Segundo Marcos Aurélio Ferreira, quando o profissional identifica competências adquiridas ao longo dos anos, pode avançar muito rápido.

Por isso, é importante reconhecer suas virtudes. "Relembre circunstâncias que foram um desafio, que competências usou para resolvê-las, por quanto tempo a solução dada gerou resultados e a sensação de realização pessoal que trouxe".

Ele diz que, normalmente, essas qualidades são aquelas que, quando alguém pergunta "nossa, como você consegue fazer isso?", sua resposta é "isso é básico".

Com as competências definidas, é mais fácil ver em que áreas poderá aplicá-las e quais funções poderá exercer com mais facilidade.

Confira dicas dos especialistas ouvidos pelo UOL para mudar de carreira, mesmo quando achar que está velho demais para isso.

Acha que é velho para mudar de carreira? Veja 5 dicas
  • Shutterstock
    Tenha calma
    A decisão não pode ser precipitada. Pedir demissão antes da hora não ajuda ninguém. Segundo o professor Teixeira, é importante buscar orientação profissional. Isso auxilia a estabelecer objetivos e planejar a troca. "É preciso saber se é uma coisa de momento. De repente é um problema familiar que gera essa insegurança, por exemplo. Ou pode ser realmente o momento de mudar" Foto: Shutterstock
  • Getty Images
    Olhar para o passado
    A primeira etapa do processo de mudança de carreira é examinar sua trajetória. "Refletir sobre o percurso serve para entender por que a vida tomou aquele rumo", diz o professor Teixeira. Assim, é mais fácil ver aonde se quer chegar Foto: Getty Images
  • Thinkstock
    Planejamento
    Não largue tudo de uma vez. "Pode demorar dois anos para se estabelecer em uma nova área", afirma Ferreira. "Quanto mais tarde, maior será o custo emocional e financeiro", diz o professor Teixeira. Assim, se possível, o melhor é iniciar um novo ciclo sem deixar seu cargo atual de lado. Em alguns casos, a nova profissão pode estar justamente na mesma empresa em que trabalha Foto: Thinkstock
  • Getty Images
    Hobby
    Um interesse pode virar profissão. Ferreira conta que conheceu um corretor de 45 anos que tinha a marcenaria como hobby. Os amigos começaram a pedir objetos para ele e, aos poucos, isso virou um empreendimento. Hoje ele divide o tempo entre as duas atividades. "Mas eu já disse a ele: o provável é que daqui a dois anos você largue a corretagem" Foto: Getty Images
  • Shutterstock
    Rede de contatos
    Disparar currículos não é a melhor opção. "Pela minha experiência, 85% a 90% dos cargos executivos são por indicação", afirma Ferreira. O ideal é construir uma rede de relacionamentos. "Um curso na área pode ser uma ótima oportunidade de fazer contatos com pessoas que já trabalham com o que você deseja". As redes sociais, como Facebook e Linkedin, também são boas para isso Foto: Shutterstock
Fonte: Marco Antônio Teixeira, coordenador do SOP-UFRGS, e Marcos Aurélio de Araújo Ferreira, da Formare Associados

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