Poupança fraca, dólar alto, juro subindo: cenário ruim para o bolso em 2016

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Daniel Neri/ Arte UOL

A vida vai continuar difícil para os brasileiros em 2016. Essa é a conclusão de 19 especialistas consultados pelo UOL.

A previsão é que o país continue em recessão e com indicadores negativos:

  • queda no PIB
  • juros altos
  • inflação um pouco mais baixa, mas acima da meta
  • dólar em alta

Veja previsões para emprego, poupança, viagens, prestações, conta de luz e imóveis:

DESEMPREGO
Rafael Hupsel/Folha Imagem

Clemens Nunes, professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV: Deve aumentar e chegar a 11,5%. As empresas procuram retardar o processo de demissão porque é custoso e significa abrir mão de um funcionário e qualificado. Mas com recessão as empresas devem cortar ainda mais.

Eduardo Terra, presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo): Deve aumentar e chegar a 11% em março. Se a economia se estabilizar, há possibilidade de as demissões pararem. Caso contrário, o índice pode aumentar ainda mais.

Pedro Paulo Silveira, economista da TOV Corretora: Deve aumentar nos dois primeiros trimestres. Situação só começa a melhorar no segundo semestre. Previsão de 11%.

POUPANÇA
Getty Images

Alexandre Cabral, economista da NeoValue Investimentos: Deve render um pouco melhor do que a inflação (8,5% da poupança x 7% da inflação no ano). Continua a não ser um bom destino para o dinheiro.

Alberto Felix de Oliveira Neto, responsável pela Tesouraria do Banco Máxima: A poupança deve render 8%, enquanto a inflação fica em 7,2%. Outros investimentos em renda fixa continuarão a superar em muito a poupança.

Pedro Paulo Silveira: Investimento deve ser evitado, pois vai continuar rendendo bem abaixo das outras modalidades de renda fixa. Rendimento da poupança deve ficar entre 8% e 9%, ante juros médios de 13,5% e inflação de 6,5%.

VIAGENS
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Edmar Bull, vice-presidente administrativo da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav) e presidente da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas): O brasileiro vai trocar as viagens ao exterior por férias no país. O setor corporativo deve ter um pequeno crescimento, pois alguns que perdem o emprego se tornam empresários e viajam para divulgar o negócio. Previsão de crescimento de 5% no faturamento.

Eduardo Sanovicz, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas): A crise pressiona pelo encolhimento do mercado de aviação, com redução de oferta de voos, corte de frequência e de destinos. Não vê perspectiva de melhora para os próximos dois anos.

Magda Nassar, presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo): Espera reação no mercado, pois vê melhora na cotação do dólar. 2016 vai ser melhor que 2015, principalmente com trunfos como as Olimpíadas. Não estimou percentual de crescimento.

PRESTAÇÕES
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Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC: Prevê aumento dos juros, desemprego e inflação alta. Deve haver mais calotes nas dívidas já existentes, mas o consumidor deve evitar novos débitos. Estima queda de 2% no comércio e atraso de 6,5% nas dívidas dos consumidores.

Luiz Rabi, economista da Serasa Experian: Crédito estagnado ou reduzido. Quem precisar de dinheiro emprestado vai pagar taxas altas. O atraso de dívidas deve continuar subindo, porque o desemprego pode bater até 11% em 2016. Financiamentos de bens duráveis e veículos devem cair. O único que pode subir é o de imóveis, graças a subsídios.

Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento): O aperto no bolso deve durar até o primeiro trimestre, no mínimo, com mais desemprego, inflação alta, menos renda e capacidade de consumo. Dívidas em atraso devem crescer, e o movimento de crédito será fraco, pois os consumidores não estarão dispostos a fazer mais dívidas.

CONTA DE LUZ
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Alexei Vivan, diretor-presidente da ABCE (Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica): Se chover mais, o custo da conta pode cair até 8%. As empresas podem reajustar as tarifas um pouco abaixo da inflação.

Carlos Faria, presidente da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia): A conta de luz em 2015 chegou a subir 58%. Para 2016, a expectativa é que a conta tenha uma alta entre 15% e 20%, por causa do aumento dos custos de geração de energia e alta do dólar.

Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia): Prevê aumento médio de 10% na conta de luz para os consumidores cativos, aqueles que não podem escolher de onde comprar a energia elétrica. Dólar alto e empréstimos às distribuidoras são fatores negativos. As termelétricas devem permanecer ligadas até a recomposição dos níveis mínimos dos reservatórios, e isso encarece.

IMÓVEIS
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Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação): O mercado imobiliário teve uma queda de 20% nos lançamentos e de cerca de 35% nas vendas em 2015. Isso fez com que o estoque de produtos ficasse alto, o que força os preços para baixo. Para 2016, o cenário deve continuar ruim, com desestruturação do sistema de produção.

Luiz Fernando Moura, diretor da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias): Se a economia continuar como em 2015, a perspectiva é de manutenção de um cenário difícil até o final de 2016, com menor nível de lançamentos e de vendas.

José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sinduscon/SP (Sindicato da Construção Civil): O sindicato estima uma queda de 5% do PIB da construção em 2016. Os motivos são alta do desemprego e retração de investimento público e privado e atraso nos pagamentos do Minha Casa, Minha Vida e PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

COMIDA FORA DE CASA
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Eduardo Terra: Com inflação alta e aumento do desemprego, a previsão é de corte de gastos supérfluos, como restaurantes. Em vez de sair para gastar, o consumidor vai fazer tudo em casa.

Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo: O aumento no desemprego e a redução na renda fazem com que a tendência de redução de consumo fora do lar seja enorme. As pessoas vão procurar ofertas e novidades para poder comer fora, como um prato mais barato ou uma promoção diferente.

Olegário Araújo, diretor da Inteligência de Varejo: Quem estava indo ao restaurante sofisticado passará a ir ao mais simples, e quem estava no simples vai tentar manter algumas saídas, mas aos poucos vai perceber que nem isso é possível e vai preparar tudo em casa.

SUPERMERCADOS
Thinkstock

Eduardo Terra: Com menos dinheiro, o consumidor vai reduzir a lista de compras em 2016, deixando supérfluos nas prateleiras.

Eugenio Foganholo: Em 2016, os consumidores terão de abrir mão de categorias de produtos, como iogurtes e cereais matinais, e substituir marcas premium por versões mais econômicas. O preço da cesta básica deve ficar estável em relação à inflação. Outros, como a carne, tendem a subir menos, por falta de demanda.

Olegário Araújo: 2016 deve ser o ano da pechincha, em que as famílias vão buscar alternativas para fugir da inflação: compras em grande quantidade, troca de marcas, procura por embalagens maiores e diminuição das compras por impulso.
 

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