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Medo do que podem fazer com seu dinheiro na crise política? Veja dicas

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • iStock/Topp_Yimgrimm

Diante do cenário imprevisível após a crise política desencadeada pelas delações premiadas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do frigorífico JBS, analistas estão recomendando cautela aos clientes na hora de investir. O ideal é proteger o patrimônio de grandes oscilações.

Enquanto não houver uma definição sobre o futuro político do país e sobre o andamento das reformas estruturais, como a da Previdência, o melhor é optar por investimentos mais conservadores e que não sejam sujeitos à marcação a mercado, ou seja, ao sobe e desce das taxas de juros, oscilação que pode provocar perdas, caso os recursos sejam sacados em um momento de volatilidade do mercado.

Prefira investimentos pós-fixados

Títulos do tipo Tesouro Selic (antiga LFT) no Tesouro Direto, CDBs de bancos médios com rendimento atrelado ao CDI e fundos DIs são aplicações com taxas de juros pós-fixadas, que normalmente acompanham de perto o rendimento da taxa básica da economia, a Selic, hoje em 10,25% ao ano.

"A grande vantagem dos papéis pós-fixados é que eles não estão sujeitos às oscilações provocadas pela marcação a mercado. Ou seja, eles têm remuneração positiva todo dia, faça chuva ou faça sol", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

"Mesmo com a tendência da Selic de recuar para 8,5% até o fim do ano, na média, esses papéis ainda pagarão uma taxa nominal um pouco acima de 9% em 2017."

Fique atento a prazos e taxas

Não basta apenas escolher o tipo do investimento. É preciso adequar a escolha à necessidade que você terá daquele dinheiro no futuro.

"Há aplicações em CDBs, LCIs ou LCAs que oferecem boa rentabilidade, porém exigem que você mantenha o dinheiro aplicado por, no mínimo, dois anos. Se você vai precisar do dinheiro logo, então é melhor investir um CDB com retorno menor, mas que ofereça liquidez diária", afirma Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Outras opções para quem vai precisar sacar o dinheiro logo, em prazo inferior a um ano, são os títulos do tipo Tesouro Selic no Tesouro Direto ou os fundos DI. Se optar pelos fundos, fique atento à taxa de administração cobrada pelo banco ou corretora, que deve ser inferior a 1% ao ano.

Já quem pode deixar o dinheiro investido por mais tempo conseguirá encontrar, em corretoras e plataformas de investimento, CDBs de bancos médios que pagam acima de 110% do CDI (equivalente hoje a cerca de 11%) para aplicações de dois anos, podendo chegar a 120% do CDI (12%) no caso de aplicações com prazo de cinco anos ou mais.

Também vale a pena comparar papéis que são isentos de imposto de renda, como é o caso das LCAs e LCIs. Nesse caso, a rentabilidade oferecida pelos bancos gira entre 90% e 100% do CDI.

"A grande vantagem é a isenção do imposto. Já o CDB e outras aplicações de renda fixa estão sujeitas à alíquota entre 15% e 22,5% de IR, dependendo do prazo do resgate", diz Pereira.

Não aplique mais de R$ 250 mil em papéis de bancos médios

No caso dos CDBs, LCIs, LCAs e outros papéis de investimento emitidos por bancos, também é preciso ficar atento ao tamanho da aplicação. O ideal é não investir mais de R$ 250 mil em uma mesma instituição, que é o limite de ressarcimento por pessoa, estabelecido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), caso o banco quebre.

"Os bancos médios oferecem papéis com rentabilidade maior do que os bancos tradicionais. Essa é a grande vantagem, mas sempre existe o risco de quebra do banco em um cenário de turbulência. Porém, o investimento estará sempre protegido até R$ 250 mil pelo FGC, caso isso aconteça", afirma Zeno.

 

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