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Grandes bancos voltam atrás e deixam de oferecer conta digital grátis

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Abrir uma conta corrente 100% digital e não ter que pagar tarifas deixou de ser uma realidade, pelo menos entre os grandes bancos. Nos últimos meses, essas instituições pararam de oferecer produtos que foram lançados há pouco mais de um ano.

Entenda o que é o modelo de conta digital e o que mudou nos últimos meses.

O que é a conta digital?

A proposta da conta digital é que toda sua vida financeira seja resolvida usando o celular. Esse processo já começa na abertura da conta, que dispensa a visita a uma agência para assinar papéis ou levar documentos. Se tiver algum problema ou precisar de orientação, o cliente pode falar com um gerente por telefone, chat ou mesmo pelo Facebook, a qualquer hora, até nos fins de semana.

Bancos ofereceram, depois mudaram

Dentro desse modelo de conta digital, surgiram a Digiconta (Bradesco), a iConta (Itaú) e também a BB Conta Digital (Banco do Brasil), todas com custo zero para as principais transações, como saques e transferências.

Mas os três bancos deixaram de oferecer esses produtos para novos clientes no primeiro semestre deste ano. Apenas quem já havia contratado esse formato de conta continua usufruindo dos serviços sem pagar tarifa mensal. 

Bradesco e BB relançaram novos formatos recentemente, mas agora com cobrança mensal de tarifa. E o Itaú Unibanco preferiu manter o produto digital apenas para os clientes de maior renda, também com cobrança de tarifa mensal.

Dos grandes bancos, a Caixa Econômica Federal é a única instituição que não dispõe de nenhum tipo de conta digital.

BB: tarifa de R$ 9,90/mês e limitação

O Banco do Brasil substituiu a BB Conta Digital pela BB Conta Fácil. É possível abrir a conta pelo celular e cuidar das finanças pessoais por meio de uma ferramenta integrada ao aplicativo do banco.

Essa conta tem tarifa mensal de R$ 9,90 e apresenta algumas limitações, como saldo máximo mensal de R$ 5.000 e movimentação diária de pagamentos de até R$ 800. Por outro lado, a tarifa só é cobrada se houver movimentação na conta. O valor pago pode ser convertido em bônus para celular pré-pago. 

O BB ainda mantém uma versão gratuita da Conta Fácil, porém com menor número de saques e extratos do que na versão paga.

Itaú: só para clientes de maior renda

O Itaú Unibanco informou que a decisão de suspender a comercialização da iConta "foi baseada em pesquisas internas que apontaram a necessidade de simplificação de sua prateleira de pacotes". Quem já tinha contratado o produto continuará tendo os benefícios da mesma forma.

O banco permite abrir qualquer tipo de conta por meio de um processo totalmente digital, o Abreconta, sem necessidade de o cliente ir a uma agência. Já a conta digital propriamente dita, que oferece o atendimento remoto de gerentes mesmo fora do expediente bancário, ficou restrita apenas aos clientes Uniclass e Personnalité, com cobrança de tarifa mensal.

Bradesco: de R$ 19,95 a R$ 39,95 por mês

O Bradesco explicou que a decisão de não oferecer mais a Digiconta ocorreu por causa do desenvolvimento de novas soluções digitais. O banco lançou em junho o Next, um aplicativo com visual descolado e completamente desvinculado da marca do banco, conhecido pela cor vermelha e o "B" estilizado.

"É um produto com identidade própria. Mas em momento algum negamos que ele seja do Bradesco. A marca do banco está presente atrás do cartão", afirma o superintendente executivo do Next, Jeferson Honorato.

Há três tipos de pacotes de serviços, que variam de R$ 19,95 a R$ 39,95 por mês. A principal diferença entre eles é o tipo de cartão de crédito, que pode ser apenas internacional ou incluir o programa de acúmulo de pontos da Livelo. A anuidade do cartão já está embutida no preço do pacote.

O Next tem parcerias com empresas como Uber e Natura e oferece descontos aos clientes. "Você pode fazer uma corrida pelo Uber com desconto de R$ 20 todo mês. Só esse desconto já compensaria a mensalidade no pacote mais simples", diz Honorato.

Santander: cartão de crédito pré-pago

No Santander, é possível abrir qualquer tipo de conta corrente de forma digital, sem precisar ir a uma agência. Mas o banco não possui exatamente uma conta corrente digital. A opção escolhida pelo banco foi lançar o Superdigital, que funciona como um cartão de crédito pré-pago. O cliente pode sacar ou transferir dinheiro e pagar contas, mas o formato do produto não permite, por exemplo, fazer investimentos ou pegar empréstimos.

O Superdigital pode ser individual, ao custo de R$ 7,90 por mês, ou compartilhado por até três pessoas da mesma família, por R$ 11,90 por mês. O produto foi desenhado para funcionar como um aplicativo de conversa, permitindo que o cliente interaja com seus contatos e faça suas transações, como rachar a conta do restaurante ou fazer vaquinhas para um churrasco entre os amigos.

Todo banco deve oferecer pacote essencial gratuito

Muita gente até hoje não sabe, mas, desde 2008, o Banco Central obriga que todos os bancos ofereçam uma cesta padronizada de serviços gratuitos para seus clientes, independentemente do tipo de conta corrente, comum ou especial, digital ou não.

A cesta conhecida como "serviços essenciais" inclui, por mês, até quatro saques, dois extratos, dez folhas de cheque e duas transferências entre contas do mesmo banco.

Caso você utilize esses serviços mais vezes ou outros serviços que não integram a cesta, os bancos podem cobrar por eles individualmente, conforme os valores estabelecidos em suas tabelas de tarifas.

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