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Tom negativo nas Bolsas dos EUA pode contaminar mercado brasileiro hoje

Felipe Bevilacqua

18/01/2022 09h41

Esta é a versão online para a edição desta terça-feira (18/1) da newsletter Por Dentro da Bolsa. Para assinar esse e outros boletins e recebê-los diretamente no seu email, cadastre-se aqui.

Nesta terça-feira (18), as Bolsas de Valores dos Estados Unidos reabrem após o feriado da véspera, mas o clima é negativo e os principais índices de ações recuam, com a perspectiva de alta dos juros e encerramento do programa de compra de títulos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) instigando a adoção de uma postura mais cautelosa pelos investidores.

Na Europa, as Bolsas de Valores acompanham o tom negativo dos mercados norte-americanos, com perdas mais acentuadas no setor de tecnologia, que deve se tornar menos atrativo em um cenário de juros altos nas principais economias do planeta. Isso porque a alta dos juros incentiva os investidores a se desfazer de ativos que oferecem um risco maior, como as ações de companhias de tecnologia, uma vez que a renda fixa se torna mais atrativa.

Os investidores repercutem ainda o recuo do desemprego no Reino Unido, que reforça a perspectiva de alta dos juros e redução dos estímulos no país.

Além disso, segue no radar o impasse criado pelas ameaças de ação militar russa na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, e lideranças dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), bloco que reúne Estados Unidos, Canadá e países da Europa Ocidental, travam uma queda de braço geopolítica em torno da Ucrânia.

Enquanto Putin pede por uma menor presença da Otan no leste europeu, a organização afirma que aumentará sua presença na região caso tropas russas ataquem o país vizinho.

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, com investidores preocupados com a alta dos juros e a retirada de estímulos nos Estados Unidos, monitorando ainda a disseminação da variante ômicron do coronavírus pelo território chinês.

Na segunda-feira (17), o Japão optou por manter sua política monetária inalterada, descartando a possibilidade de alta dos juros antes enquanto a inflação do país não convergir para a meta de 2% ao ano.

A ideia de um país que opta por não elevar a taxa de juros para que a inflação convirja para a meta pode soar estranha aos ouvidos brasileiros, mas isso se deve ao fato de o Japão enfrentar um problema de inflação baixa demais. Portanto, na tentativa de estimular a atividade econômica e elevar a inflação, o Bank of Japan (BoJ, o banco central japonês) manteve a taxa de juros em -0,1% ao ano.

E por aqui, o que esperar?

Por aqui, o mercado repercute a paralisação dos servidores públicos federais que reivindicam reajustes salariais, notícia que é negativa para o Ibovespa. A mobilização deve contar com a adesão de funcionários do Banco Central (BC), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e auditores e técnicos da Controladoria Geral da União (CGU), dentre outros.

Os servidores alegam ter perdido poder de compra durante os últimos anos, especialmente após a disparada da inflação em 2021, mas equipe econômica do governo federal alega não ter condições de incluir os reajustes demandados no Orçamento de 2022.
Isso porque, de acordo com estimativas, a cada 1% de aumento na folha de pagamento, seria gerada uma despesa adicional de cerca de R$ 3 bilhões a União.

Por outro lado, a alta dos preços do petróleo no mercado internacional é uma notícia que sinaliza que os bons resultados do ano passado podem ser repetidos ao longo de 2022, uma vez que a demanda pela commodity segue aquecida.

No 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Economia Investimentos): informações sobre a venda da Braskem e a negociação entre Aliansce Sonae e brMalls.

Um abraço,

Felipe Bevilacqua

Analista de Investimentos de Levante
CNPI - Analista certificado pela Apimec
Gestor CGA - Gestor de Fundos certificado pela Anbima
Administrador de Recursos e Gestor autorizado pela CVM

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.