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Quais são os tipos de investimento e como escolher o melhor para você?

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/01/2022 04h00

Renda fixa ou variável? Compra de ações ou de cotas de fundos? Tesouro IPCA ou Tesouro Selic? A variedade de investimentos traz muitas oportunidades, mas também muitas dúvidas. Qual escolher? É preciso analisar o desempenho passado e o potencial de ganho, definir prazo de resgate, valor da aplicação, incidência de taxas e impostos e riscos, tudo sob influência da política e da economia nacional e internacional.

Para ajudar quem quer ter segurança na hora de investir, o UOL Investimentos preparou um passo a passo para saber os principais tipos de investimento e qual é o melhor para você em cada momento.

Principais investimentos de renda fixa

Entre os principais investimentos de renda fixa, estão poupança, CDB, LCI, LCA, debêntures, Tesouro Direto, e fundos de investimento de renda fixa (como fundos DI, fundos de inflação ou fundos de crédito privado).

Normalmente os recursos são aplicados por meio de bancos, mas também estão disponíveis em corretoras. A valorização é baseada em índices como a Selic, o CDI, o IGP-M e o IPCA.

Características de investimentos na renda fixa

- Títulos prefixados: oferecem um rendimento fixo, ou seja, ele não se altera ao longo do tempo. Por exemplo, CDB (certificado de depósito bancário), LC (letra de câmbio) e Tesouro Direto prefixado.

- Títulos pós-fixados: a rentabilidade é ligada a um indexador. É o caso da taxa Selic e do CDI. Entre os produtos, estão o Tesouro Direto, letra de câmbio, letra de crédito imobiliário, LCA (letra de crédito do agronegócio) e CDB (certificado de depósito bancário).

- Títulos híbridos: combinam renda fixa e variável. Podem render, por exemplo, um percentual fixo, pré-acordado, mais um indicador inflacionário, como o IPCA. São exemplos as debêntures, o Tesouro Direto IPCA+, a letra de câmbio, a LCI, a LCA, o CDB, o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Principais investimentos de renda variável

Fazem parte dos investimentos em renda variável ações, fundos imobiliários, derivativos e criptomoedas. Também podem ser feitos diretamente —via Bolsa de Valores (por meio de uma corretora) ou fundos de investimento. Os mais conhecidos são os fundos de ações e os multimercados. Fundos de previdência privada podem tanto ser categorizados como renda fixa quanto variável.

Características de investimentos na renda variável

- Ações: são negociadas na Bolsa de Valores. O investidor ganha com a valorização dos papéis ou perde se eles caírem. Pode ganhar também com a distribuição de dividendos (parte do lucro distribuída aos acionistas).

- Fundos imobiliários (FIIs): os investidores aplicam no mercado imobiliário. O dinheiro obtido com a venda de cotas serve para a aquisição ou construção de imóveis, que são alugados ou arrendados. Esse valor obtido com o negócio remunera o cotista segundo a proporção aplicada. As cotas são negociadas na Bolsa, e por isso oscilam segundo a gestão da carteira ou as condições do mercado (o fechamento de shoppings na pandemia, por exemplo, afetou esse segmento).

- ETFs (ou Exchange Traded Funds): são fundos que replicam a composição de índices financeiros, tais como o Ibovespa. Suas cotas são negociadas no pregão da Bolsa. Um dos principais atrativos está no fato desse ativo permitir ao investidor ter em carteira ações de diferentes empresas por meio de um único fundo.

- Opções: são um tipo de investimento que garante ao investidor o direito de comprar ou vender um ativo (na maioria dos casos, são ações) em uma data específica, no futuro, por um valor predeterminado.

- Câmbio: é a aplicação baseada em diferentes moedas. Em momentos de oscilação na economia interna, a alternativa é recomendada por especialistas para diversificar a carteira. Os aportes podem ser feitos por meio de fundos cambiais (que têm pelo menos 80% do patrimônio investido em ativos atrelados a uma moeda). Outra forma é por meio dos certificados de operações estruturadas (COEs), também baseados em moedas estrangeiras.

- Fundos de investimento: têm diferentes tipos, como os de ações.O gestor decide o que comprar ou vender. Para isso, cobra uma taxa de administração e de performance.

- Fundos multimercados: investem em segmentos variados, como moedas, renda fixa e variável.

- Criptomoedas: representam um dos ativos financeiros mais recentes do mercado. São moedas virtuais criadas por redes descentralizadas de pessoas que, em seus servidores, são responsáveis por registrar as transações com o ativo (protegido por criptografia e pela tecnologia de blockchain). O bitcoin é o pioneiro, mas há muitas alternativas atualmente. O investidor pode comprar uma cripto (ou sua fração) em exchanges (corretoras especializadas) ou adquirir cotas de fundos.

Como definir a melhor escolha para você

Como saber qual é a melhor escolha? Fernanda De Rousset, sócia da B.Side Investimentos, avalia que a melhor forma de decidir é estar bem informado.

"Mas o melhor investimento hoje pode não ser o mesmo de ontem e pode não ser o de amanhã. É necessário ter alguma noção do cenário macroeconômico e do momento para cada investimento. Caso o investidor seja inexperiente, o ideal é ter o auxílio de um profissional", afirmou.

Saber perfil e objetivos

Bruno Mori, planejador financeiro CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), orienta: "O melhor investimento depende do perfil e do objetivo de cada investidor. A idade é um fator importante. Investidores mais novos normalmente podem correr mais riscos. Antes de partir para investimentos de maior risco, é essencial manter uma reserva financeira em aplicações de baixo risco e boa liquidez."

O prazo também é importante. Os recursos podem ser necessários inesperadamente, e por isso, nesse caso, não devem ser investidos em ações (elas podem perder valor bem em que o dinheiro é necessário).

Outro aspecto importante é a disposição em correr mais ou menos risco e imaginar a sua própria reação ao ver o investimento desvalorizando.

É preciso levar em consideração a tolerância a risco e o momento de vida.

"Um investidor conservador não pode colocar todo seu dinheiro na Bolsa porque não aguentará a volatilidade e os momentos de estresse. Da mesma forma, uma pessoa que está empreendendo e tomando muito risco no seu negócio, provavelmente vai querer se arriscar menos o mundo dos investimentos. Um funcionário público, que tem mais previsibilidade, poderá arriscar um pouco mais", afirmou Fernanda.

"Mas isso depende de inúmeros fatores e tem que ser analisado caso a caso. Lembrando, é claro, da importância de incluir nessa análise os objetivos de vida da pessoa, de curto, médio e longo prazo", disse ela.

Não há investimento perfeito

Nicolas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest, diz que não há investimentos perfeitos,

"Um investimento rentável, previsível e líquido [que permite saque sem perda a qualquer momento], tudo ao mesmo tempo, não existe. Em alguma medida, pelo menos uma dessas características vai ficar diminuída", explicou.

A poupança tem muita liquidez, altíssima segurança, mas não é rentável. renda fixa de longo prazo costuma ter uma rentabilidade muito boa, um bom grau de previsibilidade, mas a sua liquidez costuma ser reduzida.

Ação pode ser bem rentável, é bastante líquida, mas a previsibilidade é baixa.

Como mudar de investimento?

Mesmo os investidores mais cuidadosos podem se decepcionar com investimentos feitos e querer trocar.

A recomendação de Priscila Agra, assessora de investimentos Wealth Management (WM) da Guide Investimentos, é que seja procurado um profissional especializado, que vai levar em consideração o cenário econômico, a possibilidade de prejuízo financeiro ao sair do ativo naquele momento, a real necessidade de resgate do recurso ou se é possível aguardar um pouco mais e minimizar a perda financeira do seu cliente.

"Já atendi muitos clientes que me procuraram depois de terem resgatado o valor investido com prejuízo, sendo que havia outras opções que minimizariam ou até evitariam essa perda", disse Priscila.

Mori afirma que, para uma correção de rota sem perdas, é preciso saber a hora certa de fazer ajustes ou resgates.

"A maior dificuldade é que alguns investimentos desvalorizam e podem demorar para voltar a valorizar. Nesse caso, para evitar perdas é preciso ter paciência."

Se for preciso fazer uma correção de rota porque a classe de ativos não se mostrou alinhada ao objetivo, diz Farto, será precisa abrir mão do resultado esperado ou do prazo que tinha em mente ao fazer o investimento.

O mais importante, explica o especialista da Renova, é não tomar uma decisão repentina. "Mesmo que seja para abortar um investimento, é preciso antes fazer uma reflexão", declarou.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.