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Analistas dão 5 respostas que vão ajudar a investir melhor seu dinheiro

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/01/2022 04h00

Antes de se tornar investidor, é preciso mergulhar em uma série de informações. Qual seu perfil? E o melhor investimento para o atual momento de sua vida? Que cuidados tomar antes de entrar numa aplicação?

Para esclarecer cinco dúvidas importantes entre quem vai começar a investir, o UOL ouviu Jayme Carvalho, planejador financeiro CFP e membro do conselho da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar); Priscila Agra, assessora de investimentos Wealth Management (WM) da Guide Investimentos; e Lucas Pit Money, economista e sócio da Inside Research. Veja a seguir.

1. Como escolher um investimento? Basta fazer um teste para saber se o perfil é conservador, moderado ou arrojado?

Jayme Carvalho - A escolha de um investimento depende de um longo entendimento das necessidades do cliente (objetivos) e de como se relaciona com os riscos (comportamento).

A definição de perfis de investimentos na maioria das vezes segue as regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que determina um conjunto de temas a serem abordados na definição dos objetivos, como conhecimento do cliente sobre investimentos, necessidade de liquidez, conhecimento e restrições aos produtos, horizonte de investimentos etc. Com base nas respostas desses temas, a instituição deverá determinar o perfil do cliente e o que isso implica do ponto de vista de risco.

Como planejador financeiro, concluo que o questionário regulatório é apenas um formato simplificado, que a escolha envolve temas mais complexos e avanço na educação do cliente em relação a produtos e risco.

Priscila Agra - O primeiro passo é entender qual o seu perfil investidor e definir o objetivo do investimento, pois a escolha deste deve estar de acordo com o prazo do objetivo e a possibilidade de ter ou não oscilações ao longo deste tempo. Ativos com maior risco, por exemplo, devem ser escolhidos para objetivos de longo prazo, sempre respeitando o perfil investidor.

Existem três perfis:

- Conservador: prefere investimentos mais seguros, mesmo que ofereçam uma rentabilidade menor.

- Moderado: ainda busca a segurança, mas aceita fazer investimentos com mais riscos para tentar elevar a rentabilidade.

- Arrojado: tem o foco nos rendimentos e está disposto a correr mais riscos em nome dos resultados almejados.

Ao identificar o seu perfil, escolha a alternativa adequada.

Lucas Pit Money - Normalmente as pessoas acham que têm um perfil mais agressivo do que realmente têm. Desenvolver estômago para lidar com a instabilidade do mercado é algo que vem apenas com o tempo. Então, o recomendado para quem está iniciando é começar pela renda fixa e depois ir migrando para renda variável.

2. O primeiro investimento deve ser conservador ou pode ser arrojado?

Jayme Carvalho - A escolha deverá ser adequada ao objetivo do cliente. Se for para reserva de emergência, natural que seja conservador e com liquidez. Se for de longo prazo, por exemplo, para a aposentadoria, pode ser um investimento com mais risco, como fundos de previdência do tipo multimercado. Ou renda variável, se o perfil de risco estiver alinhado.

Priscila Agra - Para quem está começando a investir, é importante formar uma reserva de emergência em ativos seguros e que possam ser resgatados a qualquer momento, antes de investir em ativos com maiores riscos. Se além desta reserva o investidor tiver objetivos de longo prazo, é possível fazer investimentos mais arrojados. Mas o perfil de investidor sempre deve ser respeitado.

Lucas Pit Money - Iniciar pela renda fixa, como o Tesouro Selic 2024, principalmente para constituir uma reserva de emergência inicial, e ir migrando aos poucos para renda variável, começando por fundos imobiliários, depois ações que pagam dividendos. Na sequência, viriam as BDRs e small caps (ações de empresas menores, mais instáveis, mas que podem dar mais lucros).

3. Como saber se as taxas de administração e de performance são justas?

Jayme Carvalho - As taxas de performance e administração estão expostas no regulamento do fundo ou na lâmina de distribuição. No entanto, existem algumas padronizações de mercado. Quanto mais complexo o fundo, maior a taxa. Fundos que incorporam outros fundos, como fundos de fundos, podem custar mais caro, por conta da estrutura.

É preciso olhar o comportamento deste fundo em uma janela mais longa, tipo 24 meses. Se superar o seu referencial ("benchmark") em um valor superior ao de um produto mais simples, a taxa não deverá ser o fator de escolha desse fundo. De qualquer forma, um planejador certificado poderá explicar mais sobre pontos relevantes.

Priscila Agra - A taxa de administração é o pagamento pelo trabalho de gestão de um fundo. Essa taxa é expressa em percentual ao ano, cobrada de forma proporcional, e incide a cada seis meses ou quando o cliente faz algum resgate. Já a taxa de performance funciona como uma espécie de recompensa. Ela é cobrada quando a gestão do fundo supera seu índice de referência, que pode ser o Ibovespa, o CDI ou qualquer outro definido na documentação do fundo.

Para saber se as taxas cobradas são justas, sugerimos uma pesquisa comparativa entre os diferentes fundos.

Lucas Pit Money - Isso é bem individual de cada produto, mas a regra é que, quanto maior a complexidade do produto, mais ele pode cobrar de forma justa. Por isso eu evitaria pagar mais de 0,5% ao ano em produtos de renda fixa com gestão passiva e mais de 2% em fundos de gestão ativa, como os fundos multimercado.

4. Fundo garantidor e Imposto de Renda devem pesar na hora de investir?

Jayme Carvalho - A tributação faz grande diferença na rentabilidade dos investimentos, principalmente no longo prazo. A forma de capitalização e a alíquota de impostos podem garantir uma rentabilidade significativa. O FGC [Fundo Garantidor de Crédito, que cobre investimentos se o banco quebrar, até um certo limite] também é um importante aliado do investidor. As regras são bem específicas sobre tamanho das garantias e prazos.

Priscila Agra - Sim, ambos devem ser levados em consideração na hora de escolher um ativo. A tributação é importante para comparar a rentabilidade líquida. Muitas empresas do mercado financeiro disponibilizam um simulador gratuito para que o investidor possa calcular a melhor opção.

Para investidores mais conservadores, o FGC é importante.

Os ativos livres de IR são Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), CRI, CRA e debêntures incentivadas.

Já os ativos protegidos pelo FGC são CDB (Certificado de Depósito Bancário); Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Câmbio (LC) e Hipotecárias (LH).

Lucas Pit Money - Sem dúvida alguma. Alguns fundos sofrem o come-cotas no último dia dos meses de maio e novembro [o come-cotas é um tributo cobrado periodicamente].

5. Quais são os investimentos mais arriscados? E os mais conservadores?

Jayme Carvalho - Depende do conceito de risco. Risco está relacionado à variação e pode ser positiva ou negativa. Não correr risco compromete também a rentabilidade de longo prazo. Ou seja, um investimento muito conservador de longo prazo traz um risco gigante ao não proporcionar a independência financeira.

No entanto, se estivermos falando daqueles que podem apresentar maiores perdas em algumas janelas de tempo, os produtos mais arriscados são: fundos de renda variável, fundos que se utilizam de derivativos e alavancagem, títulos de renda fixa de longo prazo do tipo debêntures, além de notas do Tesouro Nacional com prazos de vencimento acima de dez anos. É importante consultar um profissional certificado.

Priscila Agra - Ao considerar o risco de um ativo, temos de observar três fatores: risco de crédito, risco de mercado e risco de liquidez. O risco de crédito está relacionado à possibilidade de não haver o pagamento por parte do emissor do título. O risco de mercado está relacionado à possibilidade de perder dinheiro devido a variações do mercado financeiro. Este é um risco que impacta mais os investimentos da renda variável. Diversificar seus investimentos é a melhor forma de reduzir esse risco. O risco de liquidez está associado a não conseguir obter o dinheiro de que precisa no momento necessário. Existem opções em que o saque antecipado implica em perder parte do valor investido.

Para evitar esse tipo de situação, opte por ativos de menor liquidez apenas para os recursos que tenha certeza de que não serão utilizados no curto prazo, ou que tenha um objetivo específico alinhado com o prazo de resgate da aplicação.

Os investimentos mais conservadores são aqueles que possuem menor risco de mercado, crédito e liquidez, como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária com cobertura do FGC.

Os investimentos mais arriscados são aqueles que possuem mais riscos de mercado, crédito e liquidez. Cito como exemplo as criptomoedas, mercado futuro, mercado de opções (principalmente opções a descoberto), os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) por terem alto risco de crédito e ações, em particular as "small caps".

Lucas Pit Money - Os mais conservadores seriam os produtos de renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, que estão protegidos pelo FGC. Os mais arriscados, em teoria, seriam as criptomoedas.

O grau de risco de um investimento é muitas vezes proporcional ao desconhecimento. O comportamento do investidor é o que o faz ganhar ou perder muito dinheiro. Estude antes de investir e tenha uma carteira diversificada desde o princípio.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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