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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como se explica a queda do dólar no Brasil?

dólar, notas de 100 dólares - Rick Wilking/Reuters
dólar, notas de 100 dólares Imagem: Rick Wilking/Reuters
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Felipe Bevilacqua

16/02/2022 09h37

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Com a diminuição das tensões na fronteira entre Rússia e Ucrânia, o dólar voltou a recuar em relação ao real, encerrando a terça-feira (15) cotado a R$ 5,18, o menor valor desde o dia 6 de setembro de 2021.

Desde o começo do ano, o dólar acumula queda de 7,1% ante o real, e especialistas apontam que ainda há espaço para que a moeda norte-americana caia mais.

Por trás desse movimento está um aumento do fluxo de investimento estrangeiro em direção aos mercados brasileiros, provocado por uma curiosa série de fatores que explicarei a seguir.

Em primeiro lugar, tendo em vista a escalada da inflação no cenário doméstico, o Banco Central (BC) iniciou um novo ciclo de alta da Selic (a taxa básica de juros da economia) que saiu de 2% para 10,75% ao ano. Esse movimento de alta dos juros torna mais atrativo o investimento na renda fixa brasileira, especialmente para os estrangeiros.

Além disso, também sofrendo com a alta de preços, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) tem sinalizado que deve iniciar um movimento de alta dos juros em março deste ano, o que tende a tornar a renda fixa por lá ligeiramente mais atrativa, prejudicando, porém, o bom desempenho do mercado norte-americano de ações.

Ao analisar esse contexto, é importante ter em mente que a taxa de juros nos Estados Unidos tem como meta atualmente atingir o patamar entre 0% e 0,25% ao ano, o que significa que mesmo com o início de um ciclo de alta dos juros neste ano, as taxas devem permanecer em patamares relativamente baixos.

Portanto, mesmo com juros mais altos, a renda fixa norte-americana não deverá oferecer oportunidades de ganhos expressivos para os investidores.

Já o mercado de ações dos Estados Unidos vem de uma sequência impressionante de altas nos últimos anos, o que leva muitos investidores a enxergarem um potencial de ganhos limitado nas Bolsas de Valores dos EUA no curto prazo.

Dessa maneira, cada vez mais investidores voltam suas atenções aos mercados de nações emergentes - dentre as quais o Brasil - em busca de ativos que ofereçam oportunidades de ganhos expressivos, mesmo que isso signifique assumir mais riscos.

Por fim, com um aumento da procura por ativos brasileiros, tanto em renda fixa quanto em renda variável, cresce a entrada de dólares no mercado brasileiro, fazendo subir o Ibovespa -principal índice de ações da Bolsa brasileira.

Entretanto, é difícil dizer até onde esse movimento, que tem beneficiado os mercados brasileiros, deve se estender, uma vez que o cenário político turbulento e a delicada situação das contas públicas brasileiras ameaçam trazer um pouco de instabilidade para o câmbio e para a Bolsa ao longo deste ano.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Economia Investimentos): informações sobre os resultados do Banco do Brasil no quarto trimestre de 2021.

Um abraço,

Felipe Bevilacqua

Analista certificado e sócio-fundador da Levante
CNPI - Analista certificado pela Apimec
Gestor CGA - Gestor de Fundos certificado pela Anbima
Administrador de Recursos e Gestor autorizado pela CVM

Queremos ouvir você

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br.

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.