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Fuja desses investimentos neste período de guerra e incertezas

Veja investimentos menos indicados para momentos de incertezas, segundo profissionais de mercado - iStock
Veja investimentos menos indicados para momentos de incertezas, segundo profissionais de mercado Imagem: iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

17/03/2022 11h00

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As incertezas sobre a economia mundial que abalam os mercados em todo o mundo desde o início da pandemia voltaram a crescer depois que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro. Além das perdas provocadas pelas mortes, o conflito tem refletido também no encarecimento de alimentos e do petróleo, reacendendo a inflação global.

Um reflexo do aumento das incertezas resultantes do conflito está no índice de volatilidade, o VIX, que mede a intensidade das oscilações nos mercados de ações a partir de negócios com opções do índice americano S&P 500. Conhecido como índice do medo, o indicador já subiu 85% neste ano, voltando aos maiores patamares desde a segunda onda da covid-19.

Diante desse cenário, quais investimentos devem ser evitados? E o que fazer se você já tiver essas aplicações em sua carteira? Confira as respostas abaixo, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Incerteza provoca oscilações de preços

Em períodos de grande instabilidade e pouca previsibilidade como o atual, preços de ativos variam com maior intensidade. Sem saber exatamente como o mundo vai ser afetado pela guerra, os analistas não conseguem afirmar como vão se comportar alguns dos principais indicadores da atividade econômica, como inflação, juros e moedas, por exemplo.

De acordo com Fabrizio Gueratto, especialista em investimentos e criador do canal 1Bilhão Educação Financeira, a "guerra é um dos eventos mais imprevisíveis para o mundo mundo econômico e para os mercados".

O cenário mudou completamente. Com uma inflação maior, os juros podem subir mais do que o mercado está projetando hoje.
Fabrizio Gueratto, especialista em investimentos do Modalmais

Esse ambiente tira a referência de diversos investimentos. Se a valorização do petróleo e dos alimentos, por exemplo, faz a inflação acelerar, isso pode levar os países a elevarem juros para conter a escalada dos preços. O que influencia o rendimento de quem investe em renda fixa.

O conflito também dificulta as atividades econômicas, como produção de alimentos, exportação e importação de bens, prejudicando algumas empresas que dependem mais desses negócios do que outras companhias.

Investimentos para fugir em tempos de guerra

Essa dose extra de risco gerada pelas incertezas aumenta a necessidade de o investidor ser mais cuidadoso na hora de iniciar ou movimentar aplicações, de acordo com os entrevistados.

Momentos de crise e maior incerteza pedem mais cautela do investidor para escolher onde investir ou pensar em rebalancear a carteira de investimentos.
Luciane Almeida, especialista em investimentos e educação financeira do PagBank

A lista de investimentos que devem ser evitados não é única para todos os investidores. Isso depende do risco que cada um pode assumir, do objetivo que aquela aplicação tem e, principalmente, do prazo pelo qual o dinheiro pode ficar aplicado.

Veja aqui como descobrir seu perfil de investidor.

Investidor conservador e moderado

Para o investidor conservador, moderado ou iniciante, as aplicações de risco devem ser evitadas neste momento. Veja exemplos a seguir.

  • Bolsa e dólar: os preços das ações e da moeda americana oscilam mais em momentos de incerteza. Então, se o investidor não pode correr o risco de sacar menos do que aplicou, o recomendável é fugir da renda variável por enquanto.

Para o investidor que está começando, é preferível começar com aplicação de renda fixa, de preferência um título do governo que acompanhe o CDI, como o Tesouro Selic.
Pedro Tiezzi, analista de investimentos da SVN Investimentos

  • Renda fixa prefixada: os aumentos de preços de commodities (matérias-primas) impacta a inflação, o que provoca mais aumentos de juros, dizem economistas. Se a pessoa aplica em títulos prefixados hoje, pode perder no futuro, porque os juros lá na frente poderão estar acima dos que são atualmente praticados.

Para os conservadores, a renda fixa é a classe que oferece segurança e baixo risco. O movimento de alta da taxa básica de juros da economia [Selic] é favorável para investir em títulos indexados à Selic ou ao CDI.
Luciane Almeida, especialista em investimentos e educação financeira do PagBank

Investidor arrojado

Para aquele investidor que já tem ou quer colocar uma parte da carteira em renda variável, algumas aplicações também devem ser evitadas. Pelo menos neste momento em que são muitas as incertezas sobre a duração e a extensão do conflito no leste europeu.

O cuidado maior, conforme declaram os analistas, deve ser dado às ações ou títulos de renda fixa de empresas que tenham negócios mais diretamente ligados aos países envolvidos no conflito ou a produtos cujos preços estejam sendo muito influenciados por essa crise.

Veja 4 tipos de empresa que devem ser evitados, segundo o analista da casa de análises Empiricus, Fernando Ferrer.

  1. Empresas cujo faturamento esteja muito concentrado em Rússia ou no Leste Europeu;
  2. Empresas que tenham custos diretamente ligados a commodities e que tenham dificuldade para repassar aumentos de preços, tendo assim ameaçadas suas margens de lucro;
  3. Empresas que importam matéria-prima prioritariamente da Rússia e que não tenham um substituto claro para o desenvolvimento de seu produto;
  4. Empresas que vão ter a maior parte do faturamento só no futuro, ou seja, empresas de crescimento, e que estejam com o preço de suas ações muito elevados em relação às projeções de lucros.

A lição geral é avaliar se os ativos que o investidor tem em carteira se enquadram em alguns desses quesitos. Em caso positivo, eu realizaria a venda para a montagem de posição em outras oportunidades de investimentos mais aderentes ao cenário.
Fernando Ferrer, analista da Empiricus

O que fazer se você já estiver nessas aplicações

Fazer as contas

Para o investidor que já está numa dessas aplicações não recomendadas para o perfil dele, a orientação dos especialistas é, primeiro, fazer as contas antes de agir, para evitar a tomada de decisões precipitadas.

Um investidor conservador que esteja muito preocupado com perdas neste momento pode vender parte da carteira da renda variável. Mas precisa, para isso, buscar vender a fatia que ainda acumula ganhos. E, então, realocar parte destes recursos em renda fixa, aproveitando o ciclo de alta da taxa, diz o estrategista da Toro Investimentos, Josias de Matos.

É importante ter uma estratégia bem consolidada de acordo com o perfil de risco. Mas se o investidor eventualmente mudar a estratégia, isto deve ser realizado a partir de uma reflexão fria, e não no calor do momento, com seus papéis caindo muito.
Josias de Matos, estrategista da Toro Investimentos

Considerar urgência para sacar

A tomada final de decisão depende principalmente do momento em que a pessoa vai precisar do dinheiro.

Se a pessoa precisa dos recursos no curto prazo, em menos de três meses, aí sim vale mexer na carteira, diz Pedro Tiezzi, da SVN Investimentos. "Essa incerteza é muito grave, então pode ser o caso de sair da aplicação para estancar as perdas", afirma.

Se a pessoa não vai precisar do dinheiro, faz mais sentido esperar a volatilidade diminuir para o aplicador não se desfazer do negócio no auge da crise.
Pedro Tiezzi, SVN Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.