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Coronavírus trouxe volatilidade aos mercados; o que isso significa?

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

27/03/2020 04h00

Gestores de recursos, economistas e investidores, todos dizem que a volatilidade aumentou muito nos mercados desde que a pandemia do novo coronavírus atingiu a economia mundial.

Mas o que é volatilidade? Como esse fator afeta os diferentes tipos de aplicações e de investidores? E quando a pessoa pode ou não pode se expor a essa variável?

Volatilidade, de maneira simplificada, é o quanto o valor de um determinado ativo, como uma ação, varia, subindo ou caindo, em um determinado período. "Volatilidade é a medida da oscilação dos preços dos ativos, o desvio padrão dos retornos", afirma o CEO e fundador da gestora de recursos Magnetis, Luciano Tavares.

Como calcular

Por exemplo, a ação preferencial da Petrobras (PETR4), por exemplo, variou entre R$ 28,45 e R$ 30,18 ao longo de janeiro. No caso, uma variação de 6%. No mesmo mês, um título do Tesouro Selic, ficou com a cotação quase estável. Ou seja, volatilidade quase zero.

Em momentos de incertezas, como o de agora, essa volatilidade cresce. Afinal, sem saber como o mundo vai ser afetado pela pandemia, os analistas perdem a noção de como vão se comportar alguns dos principais indicadores da atividade econômica, como inflação, juros, vendas das empresas etc.

Isso tira a referência de diversos ativos. Por exemplo, quando os juros sobem ou caem, títulos do governo como o Tesouro Prefixado são afetados. Se a inflação acelerar, são os títulos Tesouro IPCA que sofrem ajustes. E se as empresas são afetadas pela crise, as ações dessas companhias negociadas em Bolsa passam a variar mais.

Incerteza aumenta volatilidade

Se em janeiro o papel da Petrobras variou apenas 6% entre a máxima e a mínima, em março, a oscilação chegou a 60%. Os títulos Tesouro Selic também variaram, mas quase nada, perto da estabilidade: cerca de 0,05%.

Ou seja, a volatilidade de uma ação é muito maior que a de um título do Tesouro.

Fundos de investimento também têm volatilidade, no caso, da carteira de ativos. Normalmente, os gestores informam esse dado junto com o histórico do rendimento do fundo. Se essa informação não estiver disponível na hora de você escolher uma aplicação, pergunte ao gestor da corretora ou ao gerente do banco qual a volatilidade do produto.

Escolha errada pode te deixar desprevenido

A volatilidade de um investimento é importante porque um ativo que oscila muito entre ganhos e perdas pode pegar o investidor desprevenido.

Imagine o caso de um investidor que aplicou em um fundo de ações e precisou sacar dinheiro justamente no momento em que a Bolsa estava em baixa. Ele vai perder dinheiro. As ações vinham de quatro anos seguidos de valorização, mas entraram em uma fase de perdas, em meio a essa volatilidade.

Por outro lado, se esse investidor tinha recursos em um fundo de títulos do governo, por exemplo, e precisar do dinheiro, ele não vai ser pego em situação desfavorável. O rendimento do título varia muito menos. Pode até não variar nada.

Quando escolher investimento volátil?

Por isso, os gestores de recursos recomendam que você evite aplicar em ativos muito voláteis o dinheiro do qual você vai precisar no curto prazo. "Quanto mais curto é o investimento, mais importante é observar a volatilidade", afirmou Tavares.

Por outro lado, a volatilidade é aceitável em investimentos para resgate no longo prazo, acima de cinco anos.

Veja o caso das ações da Petrobras, que fecharam a semana passada com queda acumulada de 52% no mês. Uma bela perda, não?

Mas se o investidor comprou o papel em fevereiro de 2016, quando a ação valia R$ 5,14, por exemplo, ele ainda estaria no lucro, de 133%. Ou seja, o aplicador que investe no longo prazo tem mais tempo para fazer o resgate do investimento sem afobação.

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