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Madero, Havan, Giraffas: empresários criticam medidas de combate à pandemia

O empresário Junior Durski, dono do Madero - Reprodução/Instagram
O empresário Junior Durski, dono do Madero Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

24/03/2020 16h27

A pandemia do coronavírus levou diversos países a tomar medidas duras, que acabam freando bruscamente a atividade econômica. No Brasil, alguns Estados e cidades mandaram o comércio fechar as portas, e muitas empresas tiveram que reduzir ou suspender o trabalho.

Alguns empresários têm se manifestado contra as medidas de quarentena e de isolamento social para tentar conter o avanço do novo coronavírus. Eles criticam o fechamento do comércio, dizem que o dano à economia será muito maior do que o dano à saúde pública e afirmam que o trabalhador deveria ter mais medo de perder o emprego do que de ficar doente.

Junior Durski, da rede Madero

O empresário Junior Durski, dono da rede de hamburguerias Madero e de outros restaurantes, postou um vídeo nas redes sociais criticando as limitações para os restaurantes. Para ele, o Brasil não pode parar por conta de "5.000 pessoas ou 7.000 pessoas que vão morrer", números que seriam baixos perto das mortes provocadas por homicídio ou desnutrição no país.

"O Brasil não pode parar dessa maneira. O Brasil não aguenta. Tem que ter trabalho. As pessoas têm que produzir, têm que trabalhar. O Brasil não tem essa condição de ficar parado assim. As consequências que nós vamos ter economicamente, no futuro, serão muito maiores do que as pessoas que vão morrer agora com coronavírus (sic)", afirmou.

Eu sei que tínhamos que chorar, e vamos chorar a cada uma das pessoas que morrerem com coronavírus. Vamos cuidar. Vamos isolar os idosos, vamos isolar as pessoas que têm algum problema de saúde, como diabetes. Vamos. É nossa obrigação fazer isso. Mas nós não podemos, por conta de 5.000 pessoas ou 7.000 pessoas que vão morrer... eu sei que é muito grave, eu sei que é um problema, mas muito mais grave é o que já acontece no Brasil.
Junior Durski, da rede Madeiro

"Eu acho que os infectologistas não podem simplesmente decidi que todo mundo tem que parar, independentemente das consequências gravíssimas que o Brasil vai ter na sua economia. As pessoas vão morrer de loucura, de doenças psicológicas, porque não vão ter empregos e dinheiro para sustentar as famílias. Hoje temos 13 milhões de desempregados. Esse ano vai para 30 mil, 40 mil [sic]. Isso vai ser o caos. Vai levar dois anos, três anos para recuperar isso."

As declarações do empresário repercutiram negativamente nas redes sociais, com internautas defendendo o boicote da rede Madero. Durski voltou às redes para pedir desculpas caso tenha sido "mal interpretado". Ele afirmou que se preocupa e se incomoda com as mortes relacionadas ao coronavírus, mas que as medidas de contenção do vírus não podem ser desproporcionais.

Alexandre Guerra, da rede Giraffas

Alexandre Guerra, sócio dos restaurantes Giraffas, também criticou as medidas de combate ao coronavírus. Para ele, os trabalhadores deveriam estar com medo de perder o emprego, e não de pegar o vírus.

Você que é funcionário, que talvez esteja em casa numa boa, numa tranquilidade, curtindo um pouco esse home office, esse descanso forçado, você já se deu conta de que, ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você deveria também estar com medo de perder o emprego? Será que sua empresa tem condições de segurar o seu salário por 60, 90 dias? Você já pensou nisso?
Alexandre Guerra, sócio da rede Giraffas

Para ele, o custo da quarentena será alto. "Daqui a três, quatro meses, quando essa crise inteira acabar, qual vai ser o custo para você? Porque se você pensa que o custo vai ser de pessoas infectadas, de mortes em razão desse vírus, esse não vai ser o maior custo para a população brasileira, porque isso está sendo tratado. Agora o que não está sendo tratado nem conversado é o custo que as medidas remediadoras vão ocasionar para as pessoas", disse.

"Essa semana a gente teve ações que nunca aconteceram na história do Brasil. A gente vive em regime de guerra. A gente vive algo que a gente nunca viveu. As pessoas precisam ter consciência disso. A crise de 2013, 2014, 2015. Nunca tivemos suspensão da atividade econômica. Nessa semana, a gente teve suspensão do comércio. Suspensão é o seguinte, de um dia para o outro não posso abrir. Não tenho faturamento —zero faturamento—, só que tenho boletos, tenho funcionários, tenho conta para pagar."

Luciano Hang, das lojas Havan

luciano hang - Twitter/Reprodução - Twitter/Reprodução
Imagem: Twitter/Reprodução

Luciano Hang, dono das lojas Havan, disse ao UOL que "o dano na economia vai ser muito maior do que na pandemia".

Desligar [a economia] é fácil, como vamos voltar? Como vamos ligar?
Luciano Hang, das loas Havan

Ele defendeu a redução de salários e a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). "Eu acho que tem que liberar FGTS para todos os trabalhadores. Acho que podem reduzir os salários, mas desde que permaneçam com os colaboradores depois."

No domingo, o presidente Jair Bolsonaro editou uma Medida Provisória permitindo que as empresas suspendam os salários dos trabalhadores por até quatro meses. A MP enfrentou fortes críticas, e Bolsonaro voltou atrás, revogando o artigo que permitia a suspensão.

Desde a campanha eleitoral de 2018, Hang é um dos empresários mais próximos de Bolsonaro.

Roberto Justus, empresário e apresentador e TV

Para o empresário Roberto Justus, há um exagero nas medidas para conter o vírus.

No Brasil, nós temos aqui poucos casos ainda e temos, infelizmente, 25 mortos, mas 25 mortos para 210 milhões de habitantes, de novo, é um número muito baixo. O que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer que nós estamos dando um tiro de canhão para matar um pássaro. Nós estamos exagerando na dose.
Roberto Justus, empresário e apresentador de TV

"Nós estamos parando a economia brasileira, nós estamos destruindo o que vinha se recuperando. Nós estamos vindo de anos de recessão, de problemas, de queda do nosso PIB, e agora nós vamos conseguir destruir, o que acontece com isso? Um problema social sem precedentes. Aí, sim, as pessoas vão morrer. Você sabe que muita gente se mata por problemas econômicos. A tristeza de não poder alimentar os seus filhos, perder o seu emprego. Um sorveteiro deu um grande exemplo, ele falou: 'não vou morrer do vírus, vou morrer de fome.'"

Justus também citou supostos números de mortes causadas por desnutrição para defender que o número de mortes por coronavírus é baixo.

"Vocês sabiam que 15 pessoas, entre adultos e crianças, morrem por problemas ligados à desnutrição no Brasil, todos os dias? E não vi o Brasil parar por isso. Ou seja, em dois dias, morre mais gente ligado à desnutrição, principalmente dos estados do Nordeste, do que com o coronavírus. É triste? É triste."

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