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Por que este banco americano está mais pessimista com Magalu e Casas Bahia

O banco americano Morgan Stanley recomendou que o investidor vendesse ações do Magazine Luiza e da Casas Bahia em um relatório para investidores e obtido por UOL. Magalu (MGLU3) encolheu 4,39% para R$ 2,18 ontem 16, e BHIA3 perdeu 4,75%, chegando a R$ 9,63. No ano, MGLU ainda está no positivo, com alta acumulada de 0,93%. Casas Bahia amargam queda de 15,38%, segundo a Economatica.

Além de classificar a ação como "venda" (underweight), o banco revisou o preço alvo para baixo. O valor que era R$ 2,75 caiu para R$ 2, um corte de 12% frente o fechamento da segunda-feira (15).

Por que o banco está pessimista com essas ações

O Morgan Stanley acha que este ano só o comércio eletrônico deve crescer, e não as vendas nas lojas físicas. No segmento baseado em lojas físicas, somente os atacarejos, como Assaí (ASAI3), Carrefour (CRFB3), devem avançar, diz o banco.

O ciclo de flexibilização dos juros em curso no Brasil deverá fornecer apoio incremental ao consumo. No entanto, a previsão é de que a taxa chegue a 10% ao final do ano. Acreditamos que o ritmo de recuperação provavelmente será tímido
Morgan Stanley, em documento para investidores

Focadas em produtos eletrônicos mais caros, como televisores e geladeiras, Magalu e Casas Bahia vão continuar patinando. Isso porque os juros, mesmo em queda, continuam muito altos. O banco diz que mesmo com lenta recuperação do setor eletrônico, a diminuição dos juros não será suficiente para tirar as empresas da crise em que estão.

A previsão de vendas não é boa. Numa pesquisa feita com consumidores pelo banco, o Morgan Stanley (MS) aponta para um crescimento real das vendas no varejo de apenas 1,0% este ano, o que significa uma desaceleração em relação aos 2% do rastreamento feito em 2023. O problema maior são as taxas de juros mais elevadas durante mais tempo.

Em contrapartida, o comércio na internet deve crescer muito. A expectativa do banco é de que o volume bruto de mercadoria aumente 16% (ou seja, o crescimento em quantidade de produtos vendidos). Em 2023, segundo o MS, essa evolução foi de 6%.

Há, segundo banco, uma tendência de alta nas compras, especialmente para os setores de vestuário e beleza. Isso beneficiaria Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3).

Operadores internacionais, como Mercado Livre e Shopee, devem manter sua posição de liderança no comércio eletrônico brasileiro. Breno Bonani, analista da Alphamar Invest, de Vitória (ES), concorda com a visão do Morgan Stanley. Além de focar em produtos que não dependem tanto assim de financiamento, como fogões e máquinas de lavar roupa, esses market places têm outro trunfo. "O Mercado Livre tem outros segmentos que servem de apoio para o negócio como um todo", diz o analista. O Meli+ (o novo plano de assinatura do Mercado Livre) oferece frete grátis para quem assina o serviço junto com canais de streaming, assim como faz o Prime, da Amazon.

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Outro ponto que ajuda o Mercado Livre é o braço financeiro. O Mercado Pago é praticamente um banco e tem muito mais força que o de outras varejistas, como o Banqi, da Casas Bahia
Breno Bonani, analista da Alphamar Invest

O que fazer com as ações?

Só Assaí e Carrefour têm recomendação de compra dentre os ativos de varejo da Bolsa para o Morgan Stanley. Elas foram classificadas com preço alvo de R$ 20 para a primeira e R$ 16,50 para a segunda. Atualmente, elas custam R$ 14,47 e R$ 11,93, respectivamente.

Outras seis ações estão na zona neutra: melhor não comprar, nem vender. São Pão de Açúcar (PCAR3), com preço alvo de R$ 4,5, Méliuz (CASH3), com R$ 10, Petz (PETZ3) com R$ 4,0, Lojas Renner (LREN3) com R$ 18, Natura &Co (NTCO3), com R$ 17 e Mobly (MBLY3), com R$ 2.

É melhor vender as ações do Grupo Casas Bahia e do Magazine Luiza, segundo o MS. Mas também C&A Brasil. Por ter já avançado mais de 200% no ano passado, o banco acredita que a ação não tem mais terreno para se valorizar.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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