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Analistas recomendam: fique de olho nos shoppings, que podem render até 30%

Dois grandes bancos, uma corretora e diversos analistas estão de olho em um setor que pode render perto de 30% este ano. É o segmento de shoppings centers, que já teve ganhos acima do Ibovespa no ano passado e continua com ações baratas.

O que aconteceu com os shoppings

Em 2023, as ações de shoppings superaram de longe o Ibovespa, que ficou em 22%. A Aliansce Sonae Shopping Centers (ALOS3) valorizou 61%, Iguatemi (IGTI11) 35% e Multiplan (MULT3) 34%.

Muitos investidores pensaram que os shoppings seriam aniquilados pelo comércio eletrônico, mas isso claramente não aconteceu
Gustavo Cambauva e Elvis Credendio, analistas do BTG, em documento para investidores

Depois do fechamento de diversas lojas durante e logo após a pandemia, o setor se recuperou. A ocupação agora está entre 93% e 96%, segundo o BTG, e as taxas de inadimplência de aluguel estão próximas de zero.

Shoppings não serão mortos pelo comércio eletrônico

As pessoas não vão a shoppings só para comprar. É o que diz uma pesquisa feita em dezembro pelo Bank Of America (BofA), com 1.000 consumidores brasileiros. Restaurantes e outras opções de lazer acabam atraindo o consumidor para os centros de compra e, mesmo que essa não seja a intenção, eles acabam fazendo uma comprinha.

Isso confere uma vantagem aos shoppings sobre o comércio eletrônico. "O setor se destaca como alternativa de investimento pela característica de diversidade de fontes de faturamento", diz Victor Martins, analista sênior da Planner Investimentos.

Consumidores ainda gostam de compras em lojas físicas e em shopping centers. Segundo a pesquisa, o número de consumidores que preferiu shoppings para as compras de final de ano dobrou em 2023 em relação a 2022.

Ricos compram ainda mais em shoppings. Os consumidores de classes mais altas disseram ter gasto 35% mais em shoppings no ano passado, enquanto as classes mais baixas afirmaram ter reduzido em 15% o volume de compras. Mas no final das contas, o aumento dos ricos compensa a queda. Dentre os de maior poder aquisitivo, 79% disseram que vão aos centros de compra ao menos uma vez na semana, contra 50% dos mais pobres.

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Enquanto shoppings vão vem, o varejo vai mal. Os shoppings não dependem só de vendas a crédito. Essa é a grande diferença em relação aos grandes grupos de varejo, como Magazine Luiza (MGLU3) e Grupo Casas Bahia (BHIA3), endividadas por conta da alta taxa de juros.

Segundo o BofA, a maior parte das compras em shoppings é de itens de menor valor. A maioria das compras é de roupas, sapatos e acessórios, segundo o levantamento. Das compras de Natal feitas em dezembro, 23% dentre os mais ricos disseram ter comprado roupas, 12% calçados e 11,4% acessórios e joias. Eletrônicos ficaram com 6,2%. Já itens mais caros costumam ser comprados no comércio eletrônico.

Tendência de alta continua em 2024

As ações devem continuar se valorizando, principalmente com a queda de juros. "Continuamos a ver vários varejistas planejando abrir novas lojas de shoppings e os centros de compras também estão começando a expandir a área de vendas locável", diz o relatório do BTG. E com os juros caindo, devagar os consumidores de menor poder aquisitivo vão voltando a comprar.

Com boa previsibilidade de resultados, as ações de shopping centers seguem sendo alternativa positiva a outros setores mais expostos a uma eventual mudança de rumo na economia
Victor Martins, analista sênior da Planner Investimentos

Vale a pena investir em ações do setor. É o que dizem BTG, BofA e a corretora Genial. Fernando Bresciani, analista de investimentos do AndBank também recomenda o investimento. Para ele, comprar agora é uma boa pois os ativos tendem a se valorizar conforme os juros forem caindo e o lucro subindo.

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Aliansce Sonae Shopping Centers é o papel preferido do BofA. ALOS3 tem classificação de compra pelas três companhias por ainda estar barata e o potencial de valorização pode chegar a 29% até o final do ano segundo a Genial. Para o Bofa, a ação que hoje está na casa dos R$ 24 pode terminar o ano a R$ 30. E BTG aposta em R$ 33.

Iguatemi é o mais indicado pelo BTG. O banco estima que a ação passe dos atuais R$ 23,72 para R$ 32. O BofA aponta para R$ 31.

Para Multiplan, o BTG acredita que o papel passe dos atuais R$ 27,53 (em 23 de janeiro) para R$ 34. O Bofa estima R$ 33.

Fora do Ibovespa, outra opção é a SYN Prop & Tech (SYNE3), anteriormente denominada Cyrela Commercial Properties. É a empresa de empreendimentos imobiliários e administração de shoppings. Só o BTG tem cobertura da ação, dentre as empresa citadas. Para o banco, a classificação é neutra: melhor não comprar, nem vender.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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