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Gol já perdeu mais de R$ 2 bi em valor no ano e ação pode chegar a R$ 1

A Gol já se desvalorizou R$ 2,1 bilhões só neste ano, conforme a Economatica. A companhia que valia R$ 3,75 bilhõoes ao final do ano passado, terminou o pregão desta segunda-feira (29) cotada a R$ 1,64 bilhão — uma queda de 56%. A situação acaba refletindo na Azul (AZUL4), que também perdeu o equivalente R$ 754 milhões em de valor de mercado no mesmo período.

As ações da Gol (GOLL4) já perderam mais de dois terços do valor desde o começo. Elas caíram 75,21%, desde a abertura de capital em 2004 até que o pedido de recuperação judicial da companhia aérea foi aceito pelo Tribunal de Nova York no fim da última sexta-feira (26), segundo a Economatica.

As ações continuam caindo. Nesta segunda-feira (29), primeiro pregão depois da aceitação do pedido de recuperação judicial, o papel derreteu e perdeu 33,61% no dia, caindo para R$ 3,93%.

E esse preço pode cair ainda mais, segundo o Bradesco BBI, que cortou o preço alvo para a ação de R$ 10 para R$ 1. O papel vem sofrendo bastante nos últimos meses. Nos últimos 30 dias até o dia 25, quando a Gol fez o pedido, a ação caiu 29,54%. Em seis meses, perdeu 36,43%.

A Gol abriu seu capital no Brasil e na Bolsa de Nova York ao mesmo tempo, em junho de 2004. Por isso, a empresa entrou com pedido para aderir ao Capítulo 11 da lei norte-americana de falências. Lá o processo, segundo a companhia, é mais vantajoso do que pedir recuperação judicial no Brasil. Haveria mais possibilidades de financiamento no exterior.

Mesmo depois de aceito o pedido, o processo de RJ é demorado. É o que diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, em Miami. "Pode levar meses ou anos. Por isso, o Capítulo 11 é considerado um dos recursos que as empresas têm para ganhar tempo: ela para de ter que pagar juros de suas dívidas e propor renegociações com os credores", explica o analista.

Como a Gol chegou a esse ponto?

A Gol tinha uma dívida próxima de R$ 20 bilhões até setembro de 2023. A dívida é principalmente com arrendadores de aeronaves. A empresa afirmou que não deve diminuir a frota de aeronaves disponíveis. O indicador de alavancagem financeira - medido pela dívida líquida ajustada versus o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses - ficou em 5,5 vezes em setembro do ano passado. Isso quer dizer que a empresa levaria quase seis meses para pagar o que deve se usasse tudo o que ganha na quitação da dívida.

Para o BTG, as empresas aéreas brasileiras sofrem com o câmbio. "Aproximadamente 60% de seus custos são atrelados ou denominados em dólar (incluindo combustível, leasing - aluguel com opção de compra - de aeronaves, seguro e certos custos de manutenção)", publicou o banco em documento para investidores.

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Os conflitos e guerras, segundo o banco, podem ainda este ano fazer o preço do petróleo subir. Isso seria ruim para as empresa do setor. O combustível representa cerca de 40% dos custos operacionais totais das aéreas.

A Gol abriu o pedido de recuperação nos EUA porque isso tende a ser mais vantajosa para a Gol. A estabilidade jurídica dos Estados Unidos é um dos motivos para o pedido no país, diz Luís Alberto de Paiva, especialista em reestruturação financeira de empresas e diretor da Corporate Consulting. Outro ponto é que os principais credores da Gol são empresas internacionais que fazem os leasings dos aviões.

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