OPEP prevê mercado petrolífero em déficit em 2017

Viena, 13 Mai 2016 (AFP) - O mercado petrolífero, até agora excedentário, pode voltar ao déficit em 2017 devido à redução de produção dos países não membros da OPEP, segundo um relatório desta organização publicado nesta sexta-feira.

"Há sinais convergentes da queda de produção dos países não membros da OPEP que devem provavelmente dar uma guinada no mercado e colocá-lo em déficit em 2017", após uma redução dos investimentos devido aos baixos preços, estimou a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em seu relatório mensal, apresentado em Viena.

Esta queda da produção é resultado da redução de investimentos em vários países nos últimos meses, devido aos baixos preços do petróleo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os poços de exploração caíram em mais da metade em um ano.

A OPEP também apontou a queda substancial da produção na Colômbia, no México e no Cazaquistão. No caso destes dois últimos países, a redução de produção "pode seguir em 2017".

Para 2016, no entanto, o cartel de 13 países, que extrai cerca de um terço do petróleo mundial, continua prevendo uma superprodução, já que suas previsões de produção e de consumo mundiais não se modificaram.

Segundo a organização, a demanda média deve se fixar em 94,18 milhões de barris por dia (mbd), contra uma produção dos países não membros da OPEP de 56,4 mbd.

Na prática, isso significa um excedente de cerca de 1 mbd. Os países da OPEP já extraíram 32,44 mbd em abril, depois de terem extraído 32,25 mbd em março, de acordo com o documento.

"De forma geral, a superprodução persiste e a produção continua sendo elevada", insiste a OPEP, embora existam sinais de que "a situação de superabundância persistente da oferta deve se atenuar".

Recuperação de preçosOs preços já aumentaram 40% desde seu mínimo em janeiro, "impulsionados pela perspectiva de uma aceleração da queda da produção americana de petróleo, um dólar fraco, as interrupções de fornecimento e as previsões de uma importante redução da produção fora da OPEP", segundo o relatório.

Apesar dos conflitos internos, a OPEP nega-se há vários meses a reduzir de forma unilateral sua produção, o que significaria ceder partes do mercado. A Arábia Saudita defende, pelo contrário, saturar o mercado para eliminar os países menos competitivos.

De fato, a produção do cartel tende a crescer, especialmente pelo maior peso do Irã depois do levantamento, em janeiro, das sanções internacionais que asfixiavam o país.

Em abril, a república islâmica, que busca alcançar uma produção de 4 mbd, viu sua produção diária subir em quase 200.000 barris, a 3,45 mbd.

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