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Lentidão do processo de Brexit estressará mercados, diz analista

Paris, 27 Jun 2016 (AFP) - O processo aberto após o 'Brexit' deve levar anos, estressando ainda mais os mercados, explica à AFP Matthew Beesley, diretor de ações internacionais da sociedade de gestão britânica Henderson Global Investors.

AFP: Como se explica a magnitude do choque que afeta os mercados europeus?

Beesley: Os mercados esperavam a permanência (do Reino Unido na UE). Por isso, foi uma grande comoção para eles (...) Começamos o ano com os mercados muito deprimidos, e agora vão ficar ainda mais.

AFP: Quais são as perspectivas para os mercados britânico e europeus?

Beesley: "Estou preocupado pelo Reino Unido, preocupado pela Europa, já que os investidores vão questionar sobre a viabilidade da União Europeia, o que pode nos levar aos tempos sombrios (da crise da dívida) de 2011 e 2012, com dúvidas ainda maiores sobre uma crise da zona do euro.

Porque o Reino Unido é uma economia muito importante, com um papel significativo em nível mundial. Seus vínculos com a Commonwealth, com a América do Norte e com a zona do euro fazem dela uma economia globalizada, reputada pela flexibilidade de seu Direito trabalhista e de seu ambiente propício à atividade empresarial.

Tudo isso será afetado, pois (o Brexit) possivelmente vai gerar uma desaceleração da economia britânica, ou até mesmo uma recessão técnica.

E o que estressará ainda mais os mercados é que serão necessários no mínimo vários anos para que o processo se resolva.

Além disso, isso acontece em um ambiente diferente para a economia mundial.

Em 2012, é verdade que a zona do euro se debatia (contra a crise da dívida), mas a economia chinesa ia melhor do que agora, assim como a dos Estados Unidos, e havia melhores margens de manobra para um apoio orçamentário e monetário.

Hoje, os bancos centrais lutam para influenciar o mercado através de suas políticas monetárias. Resta, portanto, pouco espaço para um apoio suplementar.

Assim, parece quase impossível implementar uma resposta orçamentária coordenada na zona do euro.

Por outro lado, a libra esterlina ficará submetida a muitas pressões nos próximos dias e semanas. Isso vai gerar um problema, já que o equilíbrio do orçamento britânico repousa em grande parte nos investimentos estrangeiros.

Já uma libra esterlina fraca será um estímulo para as exportações britânicas.

AFP: O que acontecerá com o papel de praça dominante da City londrina nas finanças europeias?

Beesley: "Este voto é claramente muito negativo para a City de Londres. Há um desequilíbrio de forças entre os serviços financeiros de Londres e os do resto da Europa.

Isso agora vai mudar. Muitos mercados são administrados por pessoas sediadas em Londres. Os grandes bancos de investimentos não terão outra opção do que deslocar seus funcionários para o continente europeu.

Não é o fim de Londres como praça financeira, mas indubitavelmente sua dominação e sua força vão sofrer mudanças.

Como o JPMorgan e o Deustche Bank já anunciaram, muitos bancos vão enviar seus funcionários a Paris, Frankfurt e talvez Milão. Isso não acontecerá necessariamente de imediato, mas acontecerá.

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J.P. MORGAN CHASE & CO

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