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FBI descarta acusações contra Hillary em escândalo por e-mails

Charlotte, Estados Unidos, 5 Jul 2016 (AFP) - O FBI recomendou nesta terça (5) que nenhuma acusação seja feita contra Hillary Clinton pelo mau uso de e-mails enquanto secretária de Estado, tirando um peso das costas da democrata, no mesmo dia em que ela e o presidente Barack Obama fizeram um comício juntos pela primeira vez.

A avaliação do FBI (a Polícia Federal americana) está longe, porém, de ser uma clara isenção de responsabilidade, como ela esperava.

O diretor do FBI, James Comey, informou hoje que não recomendará aos promotores do Departamento de Justiça qualquer acusação criminal contra Hillary, mas considerou que ela e sua equipe foram "extremamente descuidados ao lidar com informações altamente sigilosas e de conteúdo muito sensível".

Comey se pronunciou depois de uma exaustiva investigação do FBI, na qual se concluiu não ter encontrado evidências de uma "má conduta intencional" de Hillary, ou de seus colegas próximos.

O porta-voz da virtual candidata democrata à presidência dos EUA, Brian Fallon, disse que a equipe de campanha estava "agradecida" pela recomendação do FBI.

A conclusão de Comey de que Hillary enviou e recebeu informações consideradas confidenciais no momento da transmissão contradiz a afirmação recorrente da ex-secretária de Estado de que nunca enviou esse tipo de conteúdo por sua conta de e-mail e provedor pessoais, ou mesmo por um aplicativo "caseiro".

E, embora não haja provas de que o e-mail da candidata tenha sido hackeado, Comey disse que os investigadores do FBI "acreditam ser possível que atores hostis tenham acessado a conta de e-mail pessoal da ex-secretária".

Em plena campanha, as acusações de descuido feitas pelo FBI servirão de combustível para o discurso do virtual candidato republicano Donald Trump de que o casal Clinton tem operado fora da lei por anos.

"O diretor do FBI disse que a Desonesta Hillary comprometeu nossa segurança nacional. Nenhuma acusação. Uau!", ironizou Trump em seu Twitter.

"O sistema está manipulado", denunciou.

O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, preferiu a cautela em suas declarações, afirmando que foi um "manuseio imprudente e incorreto" das informações confidenciais.

"Com base na própria declaração do diretor [do FBI], parece que um dano está sendo causado à lei", alertou Ryan.

Redefinir a campanhaCom apenas três semanas até a convenção formal do Partido Democrata, de 25 a 28 de julho, os republicanos aproveitaram o caso dos e-mails para destacar a falta de confiança dos eleitores em Hillary.

A ex-primeira-dama voltou a ser atacada, depois do vazamento à imprensa sobre o breve encontro de seu marido, Bill Clinton, com a procuradora-geral, Loretta Lynch, em um aeroporto no Arizona na semana passada. O episódio levou os republicanos a denunciarem uma possível interferência do governo na investigação.

Em resposta, Lynch se comprometeu a respeitar a decisão do FBI e dos promotores, se decidissem apresentar acusações no caso envolvendo a ex-primeira-dama.

O Departamento de Justiça ainda não decidiu como vai proceder neste caso.

Nesta terça, Hillary e o presidente americano, Barack Obama, chegaram a Charlotte, na Carolina do Norte, a bordo do Air Force One, na primeira de uma série de comícios importantes em que a virtual candidata democrata espera animar os eleitores. Sua intenção é focar, principalmente, nas minorias que permanecem encantadas com Obama.

Nem Hillary, nem Obama fizeram qualquer menção à recomendação do FBI ao Departamento de Justiça, mas a ex-secretária já era esperada para tentar redefinir sua campanha com a aparição pública conjunta e seguir em frente depois da polêmica.

O funcionário de uma loja de luxo Hade Robinson, de 49 anos, estava entre as 2.000 pessoas que esperavam pela chegada da democrata no comício de Charlotte, em um centro de convenções.

"Acho que teria aberto um precedente ruim, se eles tivessem apresentado acusações contra ela porque... No tribunal, eles teriam de olhar para trás e ver se seus antecessores fizeram a mesma coisa", disse Robinson à AFP.

Robinson reconheceu que "o governo aprendeu uma lição quando se trata de funcionários públicos usando e-mail".

Trump também está em campanha na Carolina do Norte, com um comício agendado em Raleigh para esta terça à noite.

Quase todas as pesquisas atuais colocam Hillary à frente de Trump em nível nacional. Uma pesquisa divulgada pelo USA Today nesta terça mostrou, contudo, que o magnata avançou cinco pontos, em comparação à sondagem feita há dois meses, quando a democrata registrava uma diferença de 11 pontos percentuais.

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