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Retomado debate mundial sobre caça e proteção das baleias

Portoroz, Eslovênia, 24 Out 2016 (AFP) - Os países-membros da Comissão Baleeira Internacional (CBI) iniciaram nesta segunda-feira, em Portoroz, Eslovênia, seus debates sobre a proteção das baleias e as licenças outorgadas aos países caçadores.

O Japão, acusado de fazer a caça comercial passar por capturas com propósito científico, está na ofensiva desde o início das sessões.

A comissão científica da CBI "confirmou que certas populações de baleias foram reconstituídas", argumentou Tóquio em uma declaração escrita na que propõe uma flexibilização da proibição da caça de baleias, em vigor desde 1986.

"A proibição da caça comercial poderia e deveria ser suspensa em função do estado das populações de diferentes espécies", afirmou o Japão.

Apesar de uma condenação em 2014 pelo Tribunal Internacional de Justiça, Tóquio retomou em 2015 e 2016 suas campanhas de caça de baleias, especialmente na Antártica.

Uma proposta da Austrália e da Nova Zelândia para que a CBI se encarregue de avaliar a pertinência dos programas de pesca com fins científicos continua sobre a mesa.

"Está claro que os objetivos de pesquisa apresentados pelo Japão poderiam ser alcançados empregando meios não letais", afirmou a Nova Zelândia ao pedir que o arquipélago "termine com essas práticas".

Sul-americanos reivindicam santuárioA criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul é um dos quatro grandes assuntos da reunião, que terminará na sexta-feira.

Há dois anos, na reunião anterior da CBI, o projeto não tinha alcançado a maioria necessária de 75% para ser adotado.

Três países da América do Sul - Brasil, Argentina e Uruguai - defendem, junto com a África do Sul e o Gabão, a criação deste santuário com a intenção de desenvolver o turismo de observação de baleias. A União Europeia os apoia, enquanto o Japão se opõe.

"Um grupo está apoiando a proteção total das baleias sob qualquer circunstância, que não se possa matar nenhuma baleia", declarou à imprensa Joji Morishita, o representante japonês.

O outro grupo, "incluindo o Japão, apoia a utilização sustentável dos recursos marinhos, incluindo as baleias, sempre e quando se faça de maneira sustentável", afirmou Morishita.

"São posições fundamentalmente distintas e isso está causando dificuldades e bloqueando esta organização. Se não as abordarmos de alguma forma, simplesmente vamos continuar repetindo a mesma coisa, reunião após reunião", acrescentou.

Além do Japão, a Noruega e a Islândia também continuam caçando baleias, se amparando, por sua vez, na disposição jurídica da proibição que permite que os países que emitiram "reservas" durante a sua adoção não a apliquem.

A outros países - Canadá, Rússia, Dinamarca - foram outorgadas porcentagens vinculadas à caça de subsistência praticada por habitantes locais.

Em nome da União Europeia, a Holanda manifestou que "é firmemente partidária de manter a proibição da caça comercial de baleias, e convida os países que continuam praticando a caça comercial e de outro tipo a considerar pôr fim às mesmas".

A proibição da caça comercial de baleias, que entrou em vigor há 30 anos, permitiu salvar centenas de milhares de cetáceos, presa de caça a nível maciço no século XX, até o ponto em que a sobrevivência de várias espécies esteve em perigo.

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