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Investir em infraestruturas: uma das poucas ideias de Trump aceitas por Fed e FMI

Washington, 18 Nov 2016 (AFP) - Investir em infraestruturas. Essa é uma das poucas propostas de Donald Trump que foram bem recebidas pelo FMI, o Federal Reserve e os democratas. Mas enquanto a promessa de grandes obras ganha impulso, os detalhes ficam pouco claros.

Trump mencionou seu plano de investir em infraestrutura em seu primeiro discurso após sua vitória no dia 8 de novembro.

"Vamos reconstruir nossas autoestradas, pontes, túneis, aeroportos, escolas, hospitais", disse ao enumerar os grandes projetos com ares keynesianos e pouco usuais entre os republicanos.

Desde então, a equipe de Trump disse que investirá 550 bilhões de dólares para impulsionar o crescimento e renovar a infraestrutura.

Há pouco debate sobre essa renovação, em um país de autoestradas congestionadas, rede ferroviária envelhecida e pontes em colapso.

Desastres ferroviários como os da Filadélfia e de Hoboken, em Nova Jersey; o escândalo sobre a água contaminada de Flint, em Michigan; e as reiteradas falhas no sistema de metrô na capital, lançaram luz sobre a implacável realidade.

Desde 1959, o gasto com infraestrutura caiu de 3% para 2,4% do Produto Interno Bruto, de acordo com o gabinete de orçamento do Congresso.

"Há um monte de necessidades lá fora, e adiamos por muito tempo a manutenção de grande parte desses sistemas", disse à AFP Ed Mortimer, diretor-executivo de Infraestrutura do Transporte na Câmara de Comércio americana.

A saturação da rede de estradas dificulta o comércio e complica a segurança dos trabalhadores, afirmou.

A Sociedade de Engenharia Civil dos Estados Unidos considera que o "déficit" em infraestrutura custará 3.400 dólares por ano por cada família para o ano de 2025, e estima que o investimento total necessário para 2020 é de 3,6 trilhões de dólares.

Também existe preocupação com o transporte aéreo. Trump lamentou o estado dos aeroportos durante a campanha: "nos transformamos em um país de terceiro mundo".

Detalhes nebulososO presidente Barack Obama tentou durante anos, sem sucesso, obter a aprovação no Congresso de gastos para melhorar o transporte público, alegando que isso geraria empregos e potenciaria o crescimento econômico.

Os legisladores republicanos se encarregaram de bloquear sistematicamente a iniciativa, em particular no período prévio às eleições.

A troca de comando na Casa Branca poderá destravar o orçamento, para grande satisfação de instituições que insistem na necessidade desse programa de estímulo fiscal para recuperar a potência da política monetária.

O Fundo Monetário Internacional já catalogou como "necessário" o plano de Trump.

A líder da bancada democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, prometeu "trabalhar em conjunto para aprovar rapidamente uma robusta lei de empregos em infraestrutura".

Inclusive grupos empresariais tradicionalmente opostos ao gasto público veem a proposta com bons olhos.

"Esta é uma dessas áreas em que é apropriado que o governo federal invista", disse à AFP Matt Sonnesyn, vice-presidente da Business Roundtable.

"Esta é a classe de investimento que paga dividendos à economia, e que se recupera com o tempo", acrescentou.

No entanto, persiste uma grande dúvida: como Trump financiará esses grandes projetos?

Há várias maneiras, que vão desde associações público-privadas até taxar os lucros das multinacionais no exterior..

Outras soluções, politicamente perigosas, poderia ser a cobrança de pedágios ou o aumento do imposto federal sobre os combustíveis, que não é alterado desde 1993.

Uma coisa é certa: o gasto federal para esse programa será mais que simbólico e corre ao risco de afastar alguns republicanos, além de comprometer as finanças públicas jé em risco pelos maciços cortes de impostos que Trump também prometeu.

"Se há grandes cortes de impostos e grandes aumentos em gastos militares e de infraestrutura, então os benefícios (na economia) poderiam evaporar rapidamente e o efeito tornar-se negativo no longo prazo", disse o economista-chefe da Moody's Analytics, Mark Zandi, à AFP.

A seleção dos projetos também será crucial e deve evitar a velha prática de financiar planos para satisfazer planos de aliados políticos que querem uma estrada ou uma ponte para satisfazer seus eleitores.

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