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Euro atinge mínimo desde 2003 frente a dólar impulsionado pelo Fed

Londres, 15 dez 2016 (AFP) - O euro caiu, nesta quinta-feira (15), até atingir seu mínimo em quase 14 anos em relação ao dólar, no dia seguinte ao anúncio, por parte do Federal Reserve (Fed), de elevação da taxa de juros e da possibilidade de mais três altas em 2017.

Às 13h (horário de Brasília), o euro valia US$ 1,0370 no mercado cambial, um piso ao qual não chegava desde janeiro de 2003. Na quarta-feira (14), às 20h (horário de Brasília), valia US$ 1,0533.

Ontem, o Banco Central americano elevou a taxa de juros pela segunda vez desde 2008, apoiando-se nas boas perspectivas econômicas antes da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Também deu a entender que poderá repetir esse movimento outras três vezes no ano que vem, para evitar o desaquecimento da economia e para manter a inflação em torno de sua meta de 3% anual.

"Os investidores que esperavam um fim de ano tranquilo foram surpreendidos com a firmeza da mensagem enviada pelo Fed. A alta dos juros eram amplamente esperada, mas a agenda fixada para 2017 permite ao dólar alcançar seus maiores tetos em 14 anos", comentou o analista Lukman Otunuga, da FXTM.

Divergência de políticas 

Diferentemente do Fed, o Banco Central Europeu (BCE) mantém sua política expansiva de compra de ativos, após sua última reunião de governadores de 8 de dezembro.

"A divergência de políticas do BCE e do Fed faz que nos aproximemos dos níveis de paridade euro-dólar", destacou Michael Hewson, da CMC Markets, acrescentando que a instabilidade política na Europa e as preocupações sobre seu setor bancário podem afetar a moeda única europeia em 2017.

O euro já havia despencado após a contundente vitória, na Itália, em 4 de dezembro, do "não" à consulta popular sobre reforma política. O resultado levou, na semana passada, ao pedido de renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi.

Esse evento - cinco meses depois da vitória no referendo do Brexit - revelou a preocupação dos investidores com a estabilidade da Itália, terceira economia da zona euro, assim como com suas repercussões, em geral, para toda região.

O dólar, disparado

A dinâmica de alta do dólar - que se acentuou, após a eleição de Donald Trump - se iniciou em meados de 2014. Desde então, o dólar ganhou 25%.

A isso, acrescenta-se a decisão de ontem do Fed, que gerou outro "salto" da moeda americana. Desde a vitória de Trump, em 8 de novembro, a dólar se valorizou 5,5% em relação ao euro.

A força do dólar - também estimulada pelos programas de reativação anunciados pelo próximo presidente - tem como efeito que os produtos importados serão mais baratos, mas as exportações americanas ficarão mais caras e, consequentemente, menos competitivas.

No passado, a economia dos Estados Unidos resistiu bem aos períodos de dólar forte. É bom lembrar que se está falando de uma economia que ainda tem o consumo como seu principal motor.

Essa nova alta do dólar pode ser mais delicada, porém, sobretudo, se continuar em 2017, "já que a economia dos Estados Unidos exporta cada vez mais", afirma o economista Joel Naroff.
 

 

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