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Detroit abre seu Salão do Automóvel atenta aos 'tuítes' de Trump

Detroit, Estados Unidos, 9 Jan 2017 (AFP) - A indústria mundial do automóvel se reúne nesta segunda-feira no Salão do Automóvel de Detroit pendente dos polêmicos 'tuítes' da conta de Donald Trump.

Enquanto se prepara para entrar na Casa Branca no dia 20 de janeiro, Trump transformou o Twitter em sua ferramenta predileta para pressionar a indústria para que fabriquem nos Estados Unidos os carros que queiram vender neste mercado.

Na última quinta-feira, Trump ameaçou a Toyota, a maior fabricante mundial de automóveis, com a imposição de barreiras alfandegárias, caso continue fabricando carros no México para vendê-los nos Estados Unidos. Antes havia pressionado a Ford e a General Motors.

No que foi interpretado como uma manobra preventiva, a Fiat Chrysler anunciou no domingo que mudará do México para os Estados Unidos a fabricação dos caminhões Ram e que para isso investirá 1 bilhão de dólares em usinas do Michigan e de Ohio e criará 2.000 empregos.

A celebração do Salão do Automóvel em um estado em que Trump ganhou apertado nas eleições de novembro, pode ser uma boa tentação para que o presidente eleito redobre suas pressões na defesa do emprego americano.

Scott Houldieson, dirigente regional do sindicato United Automobile Workers em Chicago, disse à AFP que os trabalhadores do setor do automóvel do México ganham entre 5 e 8 dólares por hora. Em contraste, nos Estados Unidos quem começa a trabalhar na Ford tem uma remuneração média de 20 dólares por hora.

Nos locais das companhias e nos corredores de hotéis de Detroit, onde se reúnem os executivos, a pergunta que todos se fazem é "quem será o próximo alvo de Trump?".

- Vigiar o Twitter, prioridade empresarial -O executivo de uma companhia que pediu anonimato disse à AFP que a vigília à conta do Twitter de Trump se transformou na prioridade máxima dos encarregados de redes sociais de sua firma.

Outros disseram que estão atentos a outros meios.

"Vigiamos todo o panorama da mídia, incluídas as redes sociais, para todas as notícias", disse a porta-voz da Volkswagen, Jeannine Ginnivan, à AFP.

Respostas parecidas foram colhidas pela AFP de um represente da Audi, marca da Volkswagen que em setembro começou a montar seu modelo Q5 em Puebla, México. Modelos da marca Volkswagen também são produzidos no México.

A fábrica da Audi, a primeira dessa marca na América do Norte, tem um potencial de produção de 150.000 automóveis por ano e emprega cerca de 4.200 pessoas.

A Fiat Chrysler, que durante a crise de 2009 foi salva com fundos dos contribuintes dos Estados Unidos, enfatizou que quer continuar neste país.

"Desde junho de 2008 anunciamos investimentos nos Estados Unidos por 8,4 bilhões de dólares e criamos cerca de 25.000 empregos americanos", disse um porta-voz, Jodi Tinson.

Trump criticou sem piedade as políticas comerciais de outros presidentes americanos, argumentando que elas resultaram na perda de milhões de empregos nos Estados Unidos.

Trump ameaça renegociar, ou até romper, o Nafta, tratado de livre-comércio com o Canadá e o México que, segundo ele, está prejudicando os trabalhadores americanos.

Por esse tratado, se pelo menos 65% das partes de um automóvel tiverem sido produzidas nos Estados Unidos, então não haverá imposição de tarifas três países-parte.

Os fabricantes dos Estados Unidos se aproveitaram disso para investir no México. Entre 1999 e 2013 os investimentos estrangeiros no México superaram os 30 bilhões de dólares, segundo organismos especializados desse país.

No primeiro trimestre de 2015, Estados Unidos se transformou no maior importador de carros feitos no México, segundo a associação mexicana de automotoras AMIA.

Os maiores fabricantes americanos de veículos têm instalações no México. Companhias como a Mercedes Benz e a BMW começarão a fabricar no país em 2018 e 2019, respectivamente.

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