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Empresas belgas acusadas de exportar produto utilizado no gás sarin à Síria

18/04/2018 09h00

Bruxelas, 18 Abr 2018 (AFP) - Três empresas belgas devem comparecer em maio à justiça por "declaração falsa", pois não informaram as autoridades sobre a exportação para a Síria de um produto químico que pode ser usado para produzir o gás sarin.

O produto é o isopropanol que, em uma concentração de 95%, é submetido a uma licença especial de exportação porque pode ser utilizado para fabricar armas químicas, entre elas o gás sarin. O regime sírio de Bashar al-Assad o teria utilizado durante o conflito na Síria.

Alertada pela Alfândega, a justiça belga suspeita que as trÊs empresas do setor químico e de transportes não cumpriram com suas obrigações ao não declarar que exportavam este produto para Síria e Líbano, informou a porta-voz do ministério das Finanças.

O isopropanol, que também é utilizado habitualmente como um solvente para pintura, "não aparecia na declaração" da Receita, o que justifica a demanda apresentada por "declaração falsa", explicou Florence Angelici.

Uma audiência está programada par 15 de maio em um tribunal da Antuérpia.

De acordo com a revista Knack, as empresas teriam exportado 168 toneladas de isopropanol para Síria e Líbano entre 2014 e 2016.

As três empresas - a química A4E Chemie, a intermediária Anex Customs e a transportadora Danmar Logistics - alegam que agiram de boa fé, segundo a revista.

As companhias afirmaram ignorar que a legislação sobre determinados produtos mudou em 2013 e garantem que seus clientes eram empresas privadas da Síria e do Líbano, responsáveis por produzir tinta e verniz.

Washington considera que as forças sírias utilizaram cloro e gás sari durante o suposto ataque químico contra um reduto rebelde em 7 de abril na cidade de Duma. Em resposta, Estados Unidos, França e Reino Unido bombardearam alvos sírios no fim de semana.

O gás sarin a base de isopropanol, vetado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), também teria sido utilizado em abril de 2017 em Khan Sheikhun, nordeste da Síria, onde morreram mais de 80 pessoas.

mad-tjc.