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Greve de caminhoneiros força Petrobras a reduzir preço do diesel

23/05/2018 21h07

Rio de Janeiro, 24 Mai 2018 (AFP) - A Petrobras anunciou nesta quarta-feira uma redução de 10% no preço do diesel e que congelará o valor pelos próximos 15 dias, no terceiro dia da greve dos caminhoneiros, que já causa desabastecimento em vários Estados.

A empresa resistia a flexibilizar sua política de alinhamento dos preços à cotação internacional do petróleo, o que provocou uma disparada no valor dos combustíveis nas últimas semanas.

O governo acenou com a eliminação da Cide, um dos impostos sobre o diesel e a gasolina, mas a medida não foi suficiente para acabar com a paralisação.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, declarou nesta quarta-feira em entrevista coletiva que a redução do preço do diesel é uma medida "de caráter excepcional", para facilitar as negociações entre o governo e representantes dos caminhoneiros.

Este redução "não significa uma mudança na política de preços da Petrobras", afirmou Parente, se antecipando à reação dos mercados.

Os caminhoneiros, que previamente rejeitaram a "trégua" de três dias proposta pelo presidente Michel Temer, não responderam - até o momento - se vão suspender o movimento diante da proposta da Petrobras.

Os bloqueios de estradas realizados pelo caminhoneiros já deixaram sem combustível o Aeroporto Internacional de Brasília e afetaram as atividades em frigoríficos e centros de distribuição de alimentos.

Os caminhoneiros haviam afirmado mais cedo que manteriam a greve ao menos até sexta-feira, após uma reunião com Eliseu Padilha, chefe de gabinete de Temer, mas aceitaram permitir a passagem de medicamentos, alimentos e animais em pé durante dois dias.

"Estamos dialogando com o setor, estamos negociando, estamos muito preocupados (...) com o risco de desabastecimento", afirmou Padilha.

Juízes de vários estados, incluindo do Distrito Federal, concederam medidas provisórias contra os bloqueios de estrada, atendendo a pedidos do governo ou de empresas concessionárias de rodovias.

Inframérica, gestora do Aeroporto Internacional de Brasília, informou que devido à falta de combustíveis "estão pousando apenas as aeronaves com capacidade para decolar sem a necessidade de abastecimento no terminal".

O frigorífico BRF revelou que o protesto paralisou completamente as atividades de ao menos quatro matadouros de frangos e porcos, e parcialmente outras seis unidades por "falta" de matéria-prima.

Produtos agrícolas também já estão faltando no Rio de Janeiro e em São Paulo, e a falta de combustível ameaça paralisar os ônibus nas duas cidades.

Desde o início de maio, o preço do diesel nas refinarias chegou a subir 13,5% e o da gasolina, mais de 15%.

mel-js/lr