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Família bilionária alemã admite passado nazista

24/03/2019 13h27

Berlim, 24 Mar 2019 (AFP) - Mais de 70 anos após o final da Segunda Guerra Mundial, uma das famílias mais ricas de Alemanha admitiu que manteve obscuros vínculos com o regime de Adolf Hitler.

O porta-voz da família Reimann, Peter Harf, revelou ao jornal Bild am Sonntag o plano para doar 10 milhões de euros à caridade depois de descobrir o apoio de seus antepassados aos nazistas e o uso de trabalho forçado na empresa da família durante a guerra.

"O patriarca Reimann e seu filho primogênito foram os culpados. Os dois empresários morreram e deveriam ter sido presos", disse Harf.

Albert Reimann morreu em 1954 e seu filho em 1984.

A companhia que fundaram, a JAB Holding, é uma grande multinacional que possui marcas que vão desde Clearasil (cosméticos) até Calgon (limpeza).

Com uma riqueza estimada em 33 bilhões de euros, acredita-se que a família Reimann é a segunda mais rica da Alemanha.

Harf disse que a família começou pesquisar sobre o passado na década de 2000, e em 2014 decidiu contratar um historiador para fazer uma investigação minuciosa sobre os vínculos de seus antepassados com o nazismo.

A família pretende levar a público um relatório detalhado sobre esta situação quando o livro do historiador Paul Erker da Universidade de Muniqu estiver terminado, destacou Harf.

Ao citar cartas e documentos de arquivo, o jornal Bild am Sonntag informa que o patriarca da família Reimann senior foi um doador voluntário da SS (unidade paramilitar de Hitler) desde 1931.

A empresa foi considerada em 1941 como "crucial" para os esforços de guerra, já que produzia artigos para a Wehrmacht, as forças armadas da Alemanha nazista, e para a indústria de armamentos.

Em 1943, a companhia chegou a ter 175 funcionários que exerciam trabalhos forçados e empregava um capataz que era conhecido por tratar de forma cruel os trabalhadores.

Harf, que confirmou as informações divulgadas no Bild, disse que não foi feito nenhum tipo de esforço para dar uma compensação aos trabalhadores explorados.

"Mas desde então temos falado sobre o que podemos fazer agora", disse. "Queremos fazer mais e doar dez milhões de euros a uma organização adequada".

hmn/boc/pb/eg/lca

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