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FMI reduz previsão de crescimento da economia mundial em 2019

09/04/2019 11h40

Washington, 9 Abr 2019 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou para 3,3% nesta terça-feira (9) suas previsões de crescimento para a economia mundial em 2019, devido a uma desaceleração generalizada, especialmente nas economias mais avançadas.

De acordo com o relatório "Perspectivas para a Economia Mundial", publicado hoje, a lista de países, cujas previsões foram revisadas para baixo, é longa e entre eles estão principalmente Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e México, entre outros.

O Fundo aponta que a economia do planeta experimentará um crescimento de 3,3% neste ano, um recuo de 0,2 ponto em relação às previsões feitas em janeiro, embora as projeções para 2020 permaneçam inalteradas, com expansão de 3,6%.

"O relatório projeta uma desaceleração do crescimento em 2019 para 70% da economia mundial", afirma a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

A entidade disse que, embora esperasse uma desaceleração nos países em que a economia operava acima de seu potencial, a desaceleração foi maior e parece estar relacionada a um agravamento da confiança dos mercados, em parte devido às tensões comerciais.

- Brasil cresce timidamente -O FMI também reduziu sua previsão de crescimento para a América Latina e Caribe para 1,4% em 2019, 0,6 ponto a menos do que a estimativa de janeiro, e descreveu a Venezuela como um "obstáculo considerável" para a região.

O Fundo reduziu suas expectativas de crescimento para Brasil e México, as duas maiores economias regionais e estimou uma queda de 25% na volátil Venezuela.

Em relação ao Brasil e ao México, os motores da economia latino-americana, o FMI destacou variações em relação às projeções de outubro.

"Essas mudanças refletem, em parte, alterações nas percepções sobre a condução das políticas nas novas administrações em ambos os países", afirma o relatório.

No Brasil, que está se recuperando de uma dura recessão entre 2015 e 2016, o Fundo estimou um fortalecimento do crescimento: de 1,1%, em 2018, para 2,1%, em 2019, e 2,5%, em 2020.

Para o México, porém, o FMI diz que a expansão permanecerá abaixo de 2% em 2019 e 2020.

Segundo o FMI, as condições financeiras nos mercados emergentes melhoraram no início de 2019, mas permanecem mais tensas do que em outubro.

No entanto, ele estima que a situação pode melhorar em 2020 com uma previsão de crescimento robusta de 2,4%, apenas 0,1 ponto abaixo do valor calculado em janeiro.

- Riscos, trégua e otimismoQuanto à economia dos Estados Unidos, o Fundo reduziu significativamente suas previsões, em um contexto de riscos crescentes.

A entidade espera que a maior economia do mundo cresça 2,3% este ano, ante a previsão inicial de crescimento de 2,5% em fevereiro, frente a uma expansão de 2,9% no ano passado, segundo o relatório.

O crescimento na zona do euro também desacelerará de 1,8% em 2018 para 1,3% em 2019, um nível 0,6 ponto abaixo do projetado em outubro.

Até 2020, a perspectiva é de um crescimento de 1,5%.

A queda é explicada pela situação econômica de dois pesos pesados da região: Alemanha, cujo crescimento deve desacelerar para 0,8%, e Itália, para 0,1%, ou seja, 0,5 ponto percentual a menos do que nas previsões de janeiro.

A França (+ 1,5%, -0,2 ponto) também foi afetada pelo movimento de protesto dos "coletes amarelos" que interromperam sua economia no final de 2018.

No caso da Alemanha, que nos últimos anos registrou altas taxas de crescimento e superávits comerciais e orçamentários, o FMI coincide em suas previsões com as do governo e dos economistas do país.

Os "fatores temporários" que afetaram negativamente a indústria alemã no final do ano passado continuam em vigor e são mais duráveis do que o esperado, segundo o FMI.

A Alemanha pode contar, porém, com seu consumo interno, consolidado com desemprego historicamente baixo (4,9%), o que fortalece os sindicatos e empurra os salários para cima.

Enquanto isso, o Brexit do Reino Unido continua a ser uma grande incerteza, esperando por uma nova cúpula decisiva nesta quarta-feira.

O FMI aponta para três cenários possíveis: uma saída do Reino Unido com um acordo, um Brexit que implicaria o aumento de tarifas, ou um Brexit sem acordo, muito mais imprevisível.

O Fundo elogiou, contudo, as medidas adotadas pela China para estimular a economia, cujo crescimento esperado agora é de 6,3% (+0,1 pontos).

Também elogiou a trégua comercial entre os Estados Unidos e a China, pois isso deu a um ambiente turbulento um "espaço para o mercado para respirar".

O relatório preparado para a reunião do FMI, que acontece nesta semana em Washington, considera positiva a pausa que os grandes bancos centrais parecem ter tomado ao elevar as taxas de juros.

Esses elementos apoiam o otimismo do FMI nas perspectivas para 2020, com previsão de crescimento de 3,6%.

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