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Tubulações de água gelada sob as cidades, alternativa para o ar-condicionado

26/07/2019 10h38

Boulogne-Billancourt, França, 26 Jul 2019 (AFP) - No subterrâneo, máquinas barulhentas injetam água gelada em tubulações que correm ao longo das margens do Sena. Em um mundo cada vez mais quente, as "redes frias urbanas" poderiam ser uma alternativa ao ar-condicionado, prejudicial ao clima.

Em Boulogne-Billancourt, perto de Paris, 6 km de tubulações refrigeram mais de 350.000 m2 de escritórios e equipamentos no antigo local das fábricas históricas da montadora Renault.

O sistema funciona em parte com energia geotérmica, explica Clémentine Jaffré, chefe da empresa Idex, que construiu essa estação no coração de um aquífero, do qual é possível ver algumas gotas se infiltrando apesar das paredes de concreto.

As "termofrigobombas" utilizam assim a água a 15°C do lençol freático como complemento, para produzir água fria a 4°C e em paralelo água quente a 80°C para a rede sanitária e aquecimento no inverno.

As redes frias urbanas, ainda marginais no mundo, nem sempre utilizam o mesmo sistema, mas procuram oferecer uma alternativa mais ambiental aos aparelhos de ar-condicionado individuais.

Em um relatório publicado em 2018, a Agência Internacional de Energia descreveu o círculo vicioso desses aparelhos que consomem muita eletricidade, emitem gases de efeito estufa mais potentes que o CO2 e que liberam ar quente amplificando as bolhas de calor urbanas.

Atualmente, existem cerca de 1,6 bilhão de aparelhos de ar condicionado no mundo. Mas eles podem chegar a 5,6 bilhões até 2050.

"Isso significa que a cada segundo, dez unidades de ar-condicionado serão vendidas nos próximos 30 anos", disse à AFP a especialista em ambiente da ONU, Lily Riahi.

Eles consumiriam "o equivalente ao consumo de energia da China e da Índia hoje", acrescentou.

A eliminação dos gases usados por esses aparelhos evitaria 0,5°C de aquecimento, assegurou.

"Se quisermos um futuro melhor, devemos repensar como nos manter frescos e as redes refrigeradas são uma boa opção, principalmente em cidades muito populosas", acrescentou.

- "Bombas climáticas" -A Agência Internacional de Energia está um pouco menos entusiasmada. "A maioria das redes de refrigeração no mundo hoje não é mais eficiente do que os refrigeradores ou ar-condicionados em um prédio", indicou à AFP o analista John Dulac, observando as perdas de energia durante a passagem por tubulações mal isoladas.

"Em teoria e em alguns dos melhores estudos de caso, pode ser realmente muito mais eficaz", reconhece ele.

"Mas isso depende muito de como (o sistema) é projetado", insiste o analista, dando como exemplo a rede fria parisiense, a mais importante da Europa, que armazena, em particular, o gelo produzido em horas vazias para entregar água gelada durante os picos de consumo.

Com 80 km de tubulações instaladas em Paris, a Climespace, subsidiária da Engie, fornece frio a 700 clientes, incluindo o Louvre, a Assembleia Nacional, a prefeitura e grandes armanzéns.

Os equipamentos que funcionam com eletricidade, mas que também usam a água do Sena, produzem "4 megawatts de frio para 1 de eletricidade consumida enquanto (um ar condicionado autônomo) produz 2 megawatts de frio para 1 de eletricidade", diz o diretor de operações, Jean-Sébastien Mascrez.

E as emissões de CO2 são reduzidas em 50%, segundo Climespace.

"Uma rede fria é muito eficaz, é evidente", insiste David Canal, da agência francesa de controle de energia Ademe. Por outro lado, seu perímetro é limitado: "o setor residencial não é o objetivo principal", enfatiza.

"Devemos primeiro reduzir as necessidades", em particular as necessidades de "conforto", estabelecendo outras medidas como "projeto bioclimático dos edifícios", continua.

Riahi também defende soluções "naturais", como vegetação nas cidade, antes das soluções mecânicas.

lém disso, as redes frias exigem investimentos iniciais "importantes" sem retorno imediato, diz ele.

A infraestrutura de Boulogne custou cerca de 65 milhões de euros (72 milhões de dólares).

"Mas é rentável a longo prazo", diz Guillaume Planchot, presidente da Via Sèva, uma associação francesa para a promoção de redes de calor e frio.

"Este século, que infelizmente é o século do aquecimento global, vai fazer emergir esse tipo de sistema", prevê: não há opção diante das "bombas meteorológicas" que são os aparelhos de ar condicionado.

abd/alu/or/mis/eg/mr

Renault

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