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Argentina está em "virtual default", afirma presidente Fernández

Alberto Fernandez, presidente da Argentina - Mariana Greif/File Photo/Reuters
Alberto Fernandez, presidente da Argentina Imagem: Mariana Greif/File Photo/Reuters

Em Buenos Aires

23/12/2019 06h19

Resumo da notícia

  • Novo presidente disse que país não pode pagar vencimento da dívida
  • Ele comparou a crise com a de 2001, quando Argentina declarou calote: "Não é igual a 2001, mas é parecido"
  • Fernández assumiu no lugar do liberal Mauricio Macri e diz ter herdado a crise
  • No final de semana, Congresso aprovou pacote econômico proposto pelo governo

O presidente argentino, Alberto Fernández, afirmou ontem que o país não pode pagar os vencimentos de sua dívida e comparou a situação com a de 2001, quando a Argentina se declarou em default (calote) na pior crise de sua história recente.

"Não é igual a 2001, mas é parecido. Naquele momento tínhamos 57% de pobreza, hoje temos 41% de pobres. Tínhamos uma dívida em default, hoje estamos em virtual default", disse em uma entrevista ao canal América TV.

O presidente peronista de centro-esquerda assumiu o poder em 10 de dezembro como sucessor do liberal Mauricio Macri. Desde então manifestou a vontade de pagar os credores.

Na sexta-feira, o governo adiou de modo unilateral até agosto o pagamento de quase US$ 9 bilhões de vencimentos, o que custou ao país o rebaixamento da nota de sua dívida pelas agências de classificação de risco Fitch e S&P, que consideraram o país em default seletivo.

"É o que herdamos. Não podemos enfrentar e pagar as obrigações que estão vencendo. Tínhamos um forte desemprego e hoje temos o mesmo. O que não tínhamos era um processo inflacionário que temos agora", acrescentou, ao comparar o cenário com a crise de 2001, quando a Argentina declarou um default de US$ 100 bilhões.

O presidente obteve no sábado o apoio político do Congresso, com a aprovação de uma lei de emergência econômica que entrará em vigor nesta segunda-feira.

A lei inclui o aumento de impostos para as classes alta e média, benefícios sociais para os setores carentes e uma tarifa de 30% para a compra e gastos em divisas, entre outros pontos.

Fernández manteve a limitação da compra de moeda a US$ 200 dólares, por pessoa, imposta por Macri em agosto.

"A Argentina ficou sem dólares, o que aconteceu. Ficou com tão poucos dólares que Macri estabeleceu um limite muito necessário", disse.

Fernández disse que durante o governo Macri "saíram 100 bilhões (de dólares). A Argentina precisa que voltem a entrar dólares. Hoje o dólar é um bem escasso, como não existe, tem que ser muito caro", justificou.

"Temos que acabar com esta prática de economizar em dólares", disse, em referência ao hábito histórico dos argentinos, que consideram o dólar uma moeda de refúgio contra a inflação.

"A Argentina precisa que voltem a entrar dólares e que estes dólares façam parte da reserva de Estado, porque em caso contrário é impossível pensar em enfrentar as obrigações que o país assumiu", completou.

O país registra uma queda de 3,1% no PIB em 2019, uma inflação anual de 55% e uma dívida de quase 90% do PIB.

"O nível de decadência em que estamos é muito grande... em dois anos a Argentina ficou endividada de uma maneira impactante", disse.

A dívida é calculada em US$ 330 bilhões de dólares, o que inclui desembolsos do FMI por 44 bilhões.

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