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EUA encerra mais de uma década de crescimento econômico com crise do coronavírus

29/04/2020 12h44

Washington, 29 Abr 2020 (AFP) - O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos registrou contração de 4,8% no primeiro trimestre, a queda mais expressiva desde a Grande Recessão da década passada, segundo as primeiras estimativas em ritmo anual publicadas pelo Departamento do Comércio.

No período, o dano provocado pela COVID-19 ficou restrito principalmente ao fim de março e, mesmo assim, os dados mostram um impacto brutal, uma situação que a economia americana não registrava desde o quarto trimestre de 2008.

A medição utilizada nos Estados Unidos compara um trimestre com o precedente e faz uma projeção sobre a evolução no ano, se o ritmo de crescimento for mantido.

O Departamento do Comércio advertiu que "nem todos os efeitos econômicos da pandemia de COVID-19 podem ser quantificados na estimativa do PIB para o primeiro trimestre de 2020".

A contração aguda reflete a paralisação das atividades nas últimas duas semanas de março, quando milhões de americanos perderam seus empregos em consequência das medidas para tentar conter o vírus.

"A queda do PIB no primeiro trimestre foi, em parte, devido à resposta para conter a COVID-19", explicou o Departamento.

No comunicado, aponta que "isso levou a mudanças repentinas na demanda, à medida que empresas e escolas passaram para um funcionamento remoto ou cancelaram operações, enquanto os consumidores cancelaram, restringiram ou redirecionaram suas despesas".

"A recessão global pelo coronavírus atingiu a economia americana com uma força tremenda, encerrando 10 anos de crescimento sustentável", afirma uma nota da Oxford Economics.

Estados Unidos lideram a lista de países com mais vítimas fatais da COVID-19, com mais de 58.000 mortes.

Esses dados mostram um forte golpe em relação ao último trimestre de 2019, quando a economia cresceu 2,1% e os analistas estavam mais concentrados nos possíveis efeitos das políticas comerciais de Donald Trump.

O consultor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, havia alertado à CNN que esses dados do primeiro trimestre provavelmente mostrariam "a ponta do iceberg".

No primeiro trimestre, o consumo caiu 7,6%, disse o Departamento de Comércio, que explicou que vários setores foram afetados.

A radiografia desse período também mostra que as pessoas viajaram menos e as importações caíram.

Os analistas projetam um impacto mais profundo no segundo trimestre, com uma contração que pode atingir dois dígitos, mostrando os efeitos das semanas mais difíceis de confinamento.

"Esses dados mostram apenas a tempestade antes do furacão no segundo trimestre", disse Ian Shepherdson, da Pantheon Macroeonomics.

O Departamento de Comércio indicou que um segundo relatório preliminar com dados mais completos será publicado em 28 de maio.

an/mr