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Uma colheita com poucas mãos: pandemia atinge café da Colômbia

22/05/2020 14h32

Armenia, Colômbia, 22 Mai 2020 (AFP) - Os cafeicultores da Colômbia temem que parte de sua colheita permaneça nas árvores. As medidas de confinamento contra a pandemia impedem os deslocamentos dos coletores para regiões onde se produz o melhor café suave do mundo.

Os cafeicultores ficaram entusiasmados quando seus lucros aumentaram levemente, devido à desvalorização do peso colombiano em relação ao dólar americano.

Até meados do ano passado, lidavam com o preço baixo internacional do grão, estabelecido na Bolsa de Nova York. Pelo menos 91% da produção é vendida no exterior.

Mas "não há felicidade completa", diz Gustavo Echeverry, "porque há escassez de mão de obra".

"O que ganhamos com o café a um bom preço, se não puder ser coletado, e os poucos coletores existentes são mão de obra muito cara"?, questionou à AFP o produtor de 51 anos, do departamento de Risaralda.

A Colômbia é o terceiro produtor mundial de café, depois do Brasil e do Vietnã, e o primeiro em café suave, de maior qualidade.

- Higiene nos cultivos -Roberto Vélez, gerente da Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC), afirmou que a escassez de mão de obra está sendo compensada por "pessoas das mesmas áreas de cafeicultura, que não são tradicionalmente colhedoras de café, mas que, pelas próprias circunstâncias deste confinamento, (...) hoje estão sem trabalho".

Com mais de 18.000 casos e 650 mortes, a Colômbia impôs o confinamento geral desde 24 de março, duas semanas após a detecção do primeiro caso de COVID-19.

O café na Colômbia sustenta cerca de 540.000 famílias.

Para a quarta economia da América Latina, representa um de seus principais setores de exportação, depois do petróleo e da mineração, hoje reduzidos devido ao novo coronavírus.

- Exportação na quarentena -Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o consumo mundial fora de casa está diminuindo por causa do fechamento de fábricas, cafeterias e restaurantes.

Embora as compras em supermercados tenham aumentado no começo da pandemia, é pouco provável que sustentem o consumo, acrescentou a OIC.

Além disso, "há problemas logísticos (...) entre os produtores e os centros de compra, entre os centros de compra e as extrações e entre as extrações e os embarques, e há atrasos das embarcações", afirma o gerente da federação colombiana.

José Ruiz, administrador da fazenda Villa Tatiana, está conformado: "Temos que aprender a conviver com o que estamos vivendo (...) Não podemos estar alheios a aceitar a realidade".

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