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China é cobrada por maior transparência sobre atividades no rio Mekong

16/06/2020 13h45

Bangcoc, 16 Jun 2020 (AFP) - A China, acusada de ter retido a água do Mekong durante uma seca, deve ser mais transparente sobre suas atividades no rio, afirmou nesta terça-feira o órgão intergovernamental que administra essa importante hidrovia, essencial para 60 milhões de asiáticos.

A China construiu 11 barragens no Mekong, provocando indignação em ambientalistas, que destacam os "efeitos devastadores no ecossistema e na fauna aquática" dessas enormes infraestruturas de concreto.

Para piorar, a empresa americana Eyes on Earth, com base em dados de satélite, acusou Pequim de reter grandes quantidades de água em 2019 em suas usinas, o que fez o nível do rio a jusante, no Laos, na Tailândia, na Camboja e o Vietnã, cair no ano passado. Em algumas partes, foi o nível mais baixo em mais de meio século.

Os Estados Unidos, que combatem a crescente influência chinesa no sudeste asiático, acreditam que Pequim assumiu o controle do rio Mekong. No ano passado, em Bangcoc, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, atribuiu a seca à "decisão da China de cortar o leito do rio a montante".

A China negou as acusações, alegando fazer todo o possível para garantir um fluxo razoável da importante hidrovia. No entanto, nunca assinou nenhum tratado sobre a água com os países do baixo Mekong.

Além disso, garante controlar cuidadosamente os dados de suas barragens, que fornece apenas durante a estação chuvosa à Comissão do Rio Mekong (MRC), o órgão intergovernamental que administra o rio.

É necessário "ter todos os dados disponíveis ao longo do ano para realizar uma vigilância eficaz", afirmou o MRC em um relatório divulgado nesta terça-feira.

"A região de Mekong enfrenta um risco iminente de eventos climáticos extremos que exigem uma colaboração regional aprimorada", acrescentou o MRC.

Refúgio, depois do rio Amazonas, da biodiversidade aquática mais importante do mundo (1.300 espécies diferentes de peixes), o Mekong, com quase 5.000 km de extensão, é vital para cerca de 60 milhões de asiáticos.

Pequim continua a construir usinas hidrelétricas no vizinho Laos, que pretende se tornar "a bateria do Sudeste Asiático".

sde/lch/age/mis/cc