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Cuba suspende taxação do dólar e promove seu uso para resgatar economia

16/07/2020 23h32

Havana, 17 Jul 2020 (AFP) - Cuba eliminou a taxação de 10% sobre o dólar e ampliou seu uso para a venda de alguns alimentos, em um momento em que precisa de divisas para enfrentar a crise provocada pela pandemia e o endurecimento do bloqueio de Washington.

"Vamos eliminar esses 10% de taxação ainda em meio à hostilidade e ao recrudescimento do bloqueio dos Estados Unidos", disse à TV estatal o ministro da Economia, Alejandro Gil.

Desde 2004, a taxa de câmbio do dólar recebeu uma penalização, justificada pelo governo pela dificuldade em operar na moeda americana devido às sanções.

Com atrasos nas reformas de sua economia socialista, bem como pelo endurecimento do bloqueio, Cuba precisou superar uma falta de liquidez e em 2019 começou a vender eletrodomésticos e automóveis em dólares com cartões bancários.

Apesar da alta demanda, os consumidores deviam depositar no banco os dólares que normalmente recebem por remessas familiares, mas com uma penalização de 10%. Por cada dólar só entravam 90 centavos no banco.

Com a eliminação da taxação, que vigorará a partir de 20 de julho, a demanda poderá ser incentivada.

"É uma medida justa e lógica. O país para continuar abastecendo estas lojas precisa manter uma moeda que lhe permita fazê-lo (...) É uma dolarização, embora se diga que não é como em 93, quando o dólar estava na rua, porque agora será com cartão", disse à AFP o economista Omar Everleny Pérez.

Cuba também venderá em dólares alguns alimentos e produtos de higiene considerados de alto padrão em lojas específicas. Embora não tenha informado quais.

"Há um segmento do mercado com solvência econômica (...) Está demostrado com as vendas que temos feito em dividas de equipamentos, carros e hoje o nível de oferta é zero", explicou Pérez.

A venda de alimentos nas duas moedas do sistema - CUC (equivalente ao dólar) e CUP (24 CUP equivalem a um dólar) - continuarão.

A Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) prevê uma contração do PIB cubano de 8% em 2020, como consequência da pandemia.

O turismo é o motor econômico do país, mas está paralisado há quatro meses e a ilha precisou tomar medidas diante de uma situação "excepcional", assegurou Gil.

O governo trabalha no projeto de pequenas e micro empresas, estatais e privadas, assim como na participação do investimento estrangeiro na produção de alimentos.

"Este é um sistema de medidas orientado a nos fortalecer, não só para resistir, mas também para sairmos adiante e nos desenvolver", assegurou o presidente Miguel Díaz-Canel.

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