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Bayer pagará US$ 1,6 bi para encerrar ações nos EUA por implante anticonceptivo

A comercialização do anticonceptivo Essure, da Bayer, foi suspensa em 2017 em todo o mundo, exceto nos EUA - dpa / picture alliance via Getty Images
A comercialização do anticonceptivo Essure, da Bayer, foi suspensa em 2017 em todo o mundo, exceto nos EUA Imagem: dpa / picture alliance via Getty Images

20/08/2020 18h06

A gigante farmacêutica Bayer anunciou hoje (20) um acordo para pagar 1,6 bilhão de dólares para resolver quase todos as ações apresentadas nos Estados Unidos pelo controverso implante anticonceptivo Essure.

"A companhia pagará aproximadamente 1,6 bilhão de dólares para resolver estas queixas, inclusive uma alocação para queixas pendentes e está em discussões de resolução com os advogados dos demandantes restantes", informou em comunicado.

"Não há admissão de irregularidades ou responsabilidade por parte da Bayer nos acordos de conciliação", acrescentou.

Em suas contas do segundo trimestre, a companhia alemã tinha previsto pagar 1,48 bilhão de dólares para resolver as demandas relacionadas com o Essure.

A comercialização do anticonceptivo, um implante permanente apresentado como alternativa à laqueadura de trompas, foi suspensa em setembro de 2017 em todo o mundo, exceto nos Estados Unidos, onde continuou até 2018.

Esta suspensão se deveu, segundo o grupo, à "queda das vendas".

As usuárias, especialmente na França e nos Estados Unidos, se queixam de ter sofrido efeitos colaterais, em alguns casos graves, após sua colocação (sangramento, dor, fadiga intensa, reação alérgica, depressão, etc), e que persistiram mesmo após a retirada do implante.

A FDA (Agência Americana de Medicamentos) solicitou à Bayer em abril de 2018 que limitasse a venda do dispositivo só aos médicos que concordassem em advertir suas pacientes sobre o alto risco de efeitos colaterais.

A FDA mencionou 26.773 "rejeições e problemas" relacionados com o Essure, reportados entre novembro de 2002 e janeiro de 2018.

Na França, a ANSM (Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos) recomendou em 2017, "como medida de precaução deixar de implantar" o Essure, e pediu ao laboratório que "retirasse os produtos em estoque".

Comercializado desde 2002, o dispositivo foi submetido a uma vigilância reforçada em 2015 pela ANSM.

Na França correm várias ações. Foi apresentada uma denúncia penal e uma ação civil coletiva com centenas de pacientes.