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Independentistas da Nova Caledônia contrários a acordo de venda de usina da Vale

28/10/2020 06h05

Nouméa, 28 Out 2020 (AFP) - Os independentistas da Nova Caledônia são contrários à compra da usina de níquel do grupo brasileiro Vale, ameaçada de fechamento, por um consórcio que inclui a empresa suíça Trafigura.

"Não queremos esta sociedade, que é uma empresa que tem problemas judiciais relativos a tráfico de dejetos tóxicos", declarou Victor Tutugoro, porta-voz da Frente de Libertação Nacional Kanako Socialista (FLNKS).

A Trafigura é uma grande empresa do setor de petróleo.

A coalizão independentista convidou a população a participar em uma mobilização em 20 de outubro na sede da fábrica e em Noumea, organizada pela Instância Indígena de Negociações (ICAN) para opor-se à possível negociação.

O sindicato USTKE convocou uma greve geral de 24 horas.

Em setembro, após o fracasso da primeira oferta de compra por empresas australianas, a Vale-NC advertiu que, sem uma alternativa "sólida e duradoura" até o fim de outubro, iniciaria o processo de fechamento do complexo que explora no sul da ilha a jazida de Goro.

Mais de 3.000 postos de trabalho estão em jogo.

A nova oferta, que inclui a Trafigura com 25%, um acionista assalariado, a comunidade provincial do sul e um grupo de investidores, estaria a ponto de ser concretizada, de acordo com várias fontes.

Os independentistas e seus aliados denunciam "o domínio das multinacionais sobre as riquezas de mineração do país" e defendem uma solução competitiva de um consórcio caledônio e sul-coreano, entre a Sociedade Financeira da Província Norte (Sofinor), administrada pela FLNKS, e a Korea Zinc.

Na segunda-feira, a Vale descartou oficialmente a oferta, o que provocou o "espanto" da Sofinor, que afirmou que a empresa brasileira negou aos especialistas caledônis e coreanos acesso ao local, o que permitiria completar sua proposta.

A FLNKS também "interpelou o Estado", envolvido por meio de um acordo de isenção de impostos e de um empréstimo de 200 milhões de euros a Vale em 2016, no momento em que o ministro francês de Ultramar, Sébastien Lecornu, está na ilha.

Tutugoro advertiu que o caso Vale "poderia colocar em perigo o fim do processo de descolonização do Acordo de Noumea, que aconteceré em 2022.

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